Política

Série Candidatos de Bauru a deputado estadual e deputado federal: ‘Não vou buscar votos a qualquer custo’

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

O sindicalista e candidato a deputado estadual Roque Ferreira (PT) afirmou que não está fazendo “pirotecnias” para conquistar os votos necessários para se eleger. Membro da corrente “O Trabalho”, da chamada esquerda do PT, Ferreira disse que pretende fazer uma campanha de idéias. “A maioria esmagadora dos candidatos fica como louco atrás de eleitores, buscando voto a qualquer custo. Realizam uma série de pirotecnias políticas ou outro tipo de eventos para conquistar os votos”, disse.

De acordo com Ferreira, sua candidatura está centrada em três aspectos: é uma candidatura de opinião. “Nós precisamos dizer aquilo que precisa ser dito e aquilo que nós acreditamos”, frisou. O segundo aspecto é a candidatura de construção. “Como eu participo de uma organização política, nós temos feito muitas críticas à maioria do Partido dos Trabalhadores, sob o ponto de vista político. E, ao participarmos da campanha, nós queremos agrupar pessoas para discutir política e encontramos esse espaço de discussão nos núcleos socialistas de base, que nós impulsionamos durante a campanha”, afirmou.

O terceiro aspecto é o voto, que segundo o candidato, não se coloca acima das outras coisas. Para o petista, o voto é resultado de um processo. “Nós estamos nos encaminhando para esse processo. Temos campanha em 13 cidades do Estado, e seguimos o planejamento que fizemos, de ter uma candidatura de opinião, de construção e também de conquistar os votos necessários, para que, se possível, possamos ter um mandato de deputado”, salientou.

Confiança

Apesar de não investir pesado em propaganda eleitoral e de ter aberto mão da campanha da televisão, o sindicalista aposta no retrospecto de suas últimas candidaturas para se eleger. “Em 2000 fui o nono mais votado para vereador, mas não consegui a cadeira pela falta de votos na legenda. Em 2004, fui o oitavo mais votado da cidade, em uma campanha muito difícil”, salientou.

Segundo ele, a linha de corte (número de votos necessários para eleger um deputado) do PT será em torno de 50 mil votos. Ferreira considera a tarefa difícil, mas não impossível. “Nós sabemos exatamente os limites e as possibilidades para conquistar esses 50 mil votos. Estamos trabalhando com setores organizados da sociedade em Bauru e fora de Bauru. Se conseguirmos traduzir isso em votos, considero possível atingir o necessário para me eleger”, destacou.

De acordo com Roque Ferreira, sua candidatura atende a interesses da maioria da população. “Minha candidatura é classista. Eu não tenho compromisso com toda a cidade, mas com a maioria da população da cidade, que a gente coloca dentro do espectro da classe trabalhadora. A candidatura aborda um conjunto de temáticas que se chocam muitas vezes, com uma parcela da população de Bauru, que é a elite que detém o poder econômico”, afirmou.

Papel do deputado

O sindicalista Roque Ferreira afirmou que, antes de apresentar propostas, é preciso explicar para a população o papel do deputado estadual. De acordo com ele, a primeira obrigação do deputado é fiscalizar as ações do Executivo. “Em segundo lugar, o parlamentar pode propor projetos de lei, mas o ato de apresentar um projeto não significa que ele será aprovado, porque tem a disputa de natureza política dentro da Assembléia Legislativa”, salientou.

Outro ponto destacado pelo candidato é o auxílio que o deputado pode dar a determinada região do Estado, defendendo os interesses da população dessa região. “No entanto, nós temos que tomar muito cuidado com um certo conceito que está sendo difundido no senso comum, que o deputado tem que se tornar um mercador de recursos para município e região. Defendo que deputados estaduais e federais não possam fazer emendas ao orçamento, para evitar que se pavimente o caminho para a corrupção”, disse.

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Efeito PT

Um dos aspectos que podem dificultar a eleição de Roque Ferreira é o partido político. Segundo ele, a dificuldade de parte da população em separar o joio do trigo. “Para uma parte da população, todos que são do PT estariam, de certa forma, ligados aos escândalos de corrupção, mas em Bauru eu não tenho essa preocupação”, disse.

De acordo com Ferreira, em Bauru, durante muitos anos ele foi taxado de radical por causa das críticas aos rumos de natureza política que o partido estava tomando. Na época, segundo ele, a construção do PT com base no conceito democrático popular, cujo principal objetivo era absorver setores da sociedade civil organizada. “O partido teve que começar a abrir mão de alguns valores, de alguns princípios, e priorizou a vertente eleitoreira. Todos nós sabemos que o terreno eleitoral é deformado, e isso trouxe um processo de deformação ao PT”, frisou.

Apesar disso, Ferreira ressaltou que dentro do PT, a maioria dos filiados são pessoas honestas, sérias, que olham o futuro sob outra perspectiva. “Obviamente houve uma cúpula que se degenerou, mas eu acredito que a população é capaz de fazer essa distinção. A corrente O Trabalho permaneceu no PT porque nós não temos interesses distintos da classe trabalhadora, que se apóia na construção do PT”, salientou.

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