O consumidor bauruense ainda está tendo que gastar a sola do sapato para comprar pão francês por peso. Embora essa determinação entre em vigor apenas em 20 de outubro, são poucas as panificadoras que substituíram a tradicional venda por unidade pela de pesagem.
Segundo o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) em Bauru, dos 140 estabelecimentos do ramo que existem no município, apenas 20 - ou 14% deste total - já se adequaram. O chefe de divisão técnica do órgão, Luiz Antônio Brizzi, lembra que a nova medida é obrigatória para todas as panificadoras e supermercados. Ele também destaca que em caso de descumprimento, os estabelecimentos serão autuados.
“A empresa pode receber de uma simples advertência a uma multa que pode chegar a R$ 50 mil. Na reincidência, o valor é dobrado”, ressalta. Apesar disso, Brizzi acredita que a adequação da maioria das padarias só ocorrerá há poucos dias da obrigatoriedade entrar em vigor. “Até o dia 19 de outubro, creio que os estabelecimentos ainda estejam vendendo (o pão) por unidade. O ideal seria fazer essa alteração antes, inclusive para adaptar o próprio consumidor”, acrescenta.
Em Bauru, no Altos da Cidade algumas padarias resolveram prorrogar a venda do pãozinho por unidade. Denise dos Santos, funcionária de uma panificadora que fica no bairro, teme que a nova prática possa prejudicar o atendimento aos clientes.
“A venda por unidade é muito mais rápida do que por peso. Basta ensacar e entregar. Quando começarmos a vender por quilo, acredito que o atendimento fique mais lento”, observa.
Segundo Santos, a padaria já trabalhou com a venda de pães por peso anteriormente, o que deve, avalia ela, favorecer a aceitação da freguesia. Entretanto, os consumidores acostumados a pedir sempre a mesma quantidade de pães e, conseqüentemente, a pagar sempre o mesmo valor, podem se incomodar com a variação que a venda por peso irá proporcionar.
“Nesse caso, o cliente prefere a compra por unidade”, completa Santos. Ainda de acordo com ela, por conta dessas dificuldades que podem ocorrer, o sistema de venda do pão no estabelecimento só será alterado alguns dias antes da determinação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) entrar em vigor.
O principal objetivo da mudança é evitar perdas para quem compra e também para quem vende o pão. A idéia é possibilitar que o consumidor pague a quantia que, de fato, leva para casa.
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Em prática
A funcionalidade da venda do pão francês por peso foi aprovada numa padaria localizada na Vila Independência, em Bauru. Desde março, quando foi noticiado que a medida se tornaria obrigatória, o dono do estabelecimento resolveu se antecipar e regularizou o sistema de venda do produto.
“Não enfrentamos problemas com os clientes. Pelo contrário, eles acharam mais justo pagar, realmente, o quanto levam para casa”, comenta Valéria de Souza, funcionária da panificadora. Como a padaria dispunha de duas balanças para pesar frios e doces, segundo Souza, não foi necessário investir em mais um aparelho para fazer a pesagem dos pães.
O mecânico Alessandro Ferreira, que compra pão todos os dias no estabelecimento, aprovou o novo sistema. “Prefiro assim. A gente paga o que leva. Não há perdas para nenhuma das partes. O pãozinho fica até mais barato”, comenta.