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Basquete: Mundial começa com tradicionais forças

Folhapress
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São Paulo - Menos internacionalizado do que há quatro anos, o Mundial feminino de basquete começa hoje, em São Paulo e Barueri, com as tradicionais forças mundiais. Ao contrário da última edição, na China-2002, algumas das forças do planeta passaram a incentivar as selecionáveis a permanecer nas ligas locais.

Anteriormente, ter várias jogadoras na WNBA era considerado um trunfo e tanto. A liga norte-americana se firmava como a versão feminina da NBA e oferecia contratos vantajosos, atraindo estrelas de seleções de todo o mundo. Como ônus dessa escolha, quem se destacava no competitivo torneio costumava desfalcar seu país.

Como a WNBA realiza mata-matas às vésperas do Mundial, algumas seleções não disputavam um só amistoso preparatório com o time completo. O elenco se reunia às vésperas da estréia. E o excesso de jogos gerava várias lesões.

Por outro lado, quem não conseguia espaço nos EUA retornava para o país sem ritmo. Algumas federações decidiram dar um basta na condição de coadjuvantes. Foi o caso, por exemplo, de Espanha, Rússia, República Tcheca e Austrália.

“A federação quer que nossas jogadoras fiquem no país. Temos dez jogadoras na Espanha e duas no exterior. O mais importante é que todas têm um bom tempo de quadra em seus clubes”, destaca o técnico Domingo Díaz, da Espanha, adversário do Brasil na primeira fase.

A Rússia é o caso mais significativo. Em quatro anos, o país, vice-campeão mundial, estruturou uma liga forte, que atrai até brasileiras -Helen e Iziane passaram por lá. Além disso, abriga as finais da Liga Mundial de clubes, criada em 2003. Como resultado, todo o elenco da seleção joga no país.

A República Tcheca adotou solução parecida. O campeão europeu só tem Zuzana Klimesova no exterior _joga na França. As outras 11 estão no país. E, para melhorar o entrosamento, seis delas defendem a mesma equipe, o Gambriunis Brno, campeão europeu, que é dirigido por Jan Bobrovsky, o mesmo treinador da seleção.

França, com nove atletas na liga local, e Lituânia, que possui 11 jogadoras em casa, têm estratégia semelhante. Melhores equipes asiáticas, Coréia do Sul e China são inteiramente formadas por jogadoras locais. Mesma característica dos EUA, principais beneficiários da WNBA e favoritos ao ouro.

Austrália, vice-campeã olímpica, e Brasil, quarto em Atenas-04, são as exceções. A federação australiana bem que tentou: chegou a anunciar que não convocaria as atletas da WNBA. Rendeu-se ao óbvio. Sem capacidade para segurar suas estrelas, capitulou, e a técnica Jan Stirling teve que convocar dez “estrangeiras”, sete delas com contratos nos EUA.

Espanha confiante

A espanhola Amaya Valdemoro, eleita a segunda melhor jogadora do basquete europeu no ano passado, está pronta para fazer um grande Mundial. Valdemoro jogou no Brasil. Defendeu Americana em 2004, ficando em segundo lugar no Campeonato Paulista, com média de 15 pontos por jogo. É menos do que apresentou em competições mais recentes.

No Europeu de 2005, por exemplo, foi a cestinha, com média de 21,6 pontos por jogo. A Espanha foi medalha de bronze, repetindo a conquista do Europeu da Grécia, em 2003.

“Eu me recuperei das dores no ombro direito, estou arremessando bem e muito contente de estar no Brasil. Eu adoro esse país, sempre fui muito bem tratada. O povo é muito alegre e eu me sinto muito melhor aqui do que se o Mundial fosse na França, por exemplo”, comentou a ala.

A ala espanhola acredita que sua seleção pode repetir o feito do time masculino, que venceu o Campeonato Mundial no Japão, no mês passado. “ Espanha e Estados Unidos são muito fortes. E o Brasil, que joga em casa, também tem muitas possibilidades de ficar com o título. Brasil e Espanha têm um jogo muito parecido ”, concluiu a espanhola.

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