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Políticos e amigos exaltam coronel

Folhapress
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São Paulo - Os candelabros de alabastro do salão nobre do quartel do Regimento 9 de Julho, no bairro da Luz (região central de São Paulo), acenderam-se pela última vez para o deputado estadual e coronel reformado da Polícia Militar (PM) Ubiratan Guimarães, ontem. Dessa vez para a solenidade de seu velório, que contou com a presença de pelo menos 400 pessoas.

Há sete meses, o mesmo salão foi aberto para receber um exultante coronel Ubiratan. Foi lá que o militar comemorou a liberdade conquistada depois que o Tribunal de Justiça livrou-o de 632 anos de prisão a que havia sido condenado, em primeira instância, pelo Massacre do Carandiru.

Ontem, na última homenagem ao herói da “linha-dura” da polícia, ouviam-se ainda os ecos do “maior feito do coronel”, forma como uma roda de amigos, a mulher de um ex-comandante do regimento no centro, definia as mortes dos 111 presos. Ela só lamentava, enquanto chorava muito: “Pena que não foram logo mil”.

O deputado federal Luiz Antônio Fleury Filho chegou ao salão às 16h, pouco antes do fechamento do ataúde, que permaneceu aberto apenas na altura do rosto - o coronel tinha o semblante tranqüilo, sem sinal de tensão. “Mais do que a pessoa do coronel Ubiratan Guimarães, é uma referência que a sociedade brasileira perde com essa morte sem sentido”, disse Fleury. Em seguida, o ex-governador e chefe do coronel Ubiratan à época do massacre disse: “A responsabilidade pelo que houve no Carandiru é toda minha”.

“Hoje ele diz isso porque rende votos. Mas, na época da condenação do coronel, ninguém ouviu o Fleury assumir qualquer coisa”, rebateu a advogada Ana Maria Goulart, cabo eleitoral de Ubiratan, que foi ao velório acompanhada do marido, ex-taxista. Na ocasião de sua absolvição pelo Tribunal de Justiça, Ubiratan Guimarães fez questão de dizer que só guardava uma mágoa “das grandes”. “O nome dessa mágoa é o governador Fleury.

Depois do Carandiru, em 1992, eu, que comandava o policiamento, que tinha sido escolhido com o aval dele; ele, que me conhecia havia 35 anos, ele não se dispôs a me ouvir nem por cinco minutos. Isso é uma mágoa. (...) Mas ele virou as costas para mim.”

O deputado Conte Lopes chegou bem antes de Fleury. Era apontado: “Tá lá ele, o sucessor do coronel”. Conte Lopes recebia abraços estalados nas costas, a modalidade de cumprimento preferida pelos policiais. Estavam lá soldados de vários grupos das polícias Civil e Militar, além de um general e dois coronéis do Exército. Todos uniformizados, armas de trabalho nos coldres. Muitos dos encontros desses homens duros começavam com um abraço desses, estalados, e acabavam em lágrimas escorrendo abertamente.

A mãe do coronel, Carmen, devastada, debruçava-se sobre o caixão do filho, que ficou todo o tempo sendo guardado por dois cavalarianos em trajes da época da fundação da arma, ainda no século 19. Rua tal, número 111 O coro musical entoou um réquiem para o coronel, solene. Em seguida, soldados puxaram o hino da cavalaria. Sem acompanhamento mesmo, cantavam e choravam. Em seguida, o grito de guerra: “Hip hurra, hip hurra, hip hurra. E ao cavalo”.

Mais um 111

O corpo do coronel Ubiratan começou a ser removido do quartel pontualmente às 16h30. Foi para o cemitério do Horto Florestal, zona norte, onde foi enterrado sob aplausos. No endereço, uma ironia: “É na rua Luís Nunes, número 111”, dizia a soldado responsável pela comunicação. “111?”, indaga-se. “É, fazer o quê, né?”

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