Faleceu, na madrugada do dia 9 de setembro, o professor Sólon Borges dos Reis, aos 89 anos. Sólon Borges dos Reis, sétimo presidente do Centro do Professorado Paulista, regeu os destinos da entidade durante 40 anos, de 1957 a 1997. Nasceu em Casa Branca, em 1917, tendo sido criado em Campinas, onde fez todo o curso primário, o secundário e o normal. Mais tarde, bacharelou-se em direito e fez, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade de São Paulo, o curso de pedagogia. Freqüentou, ainda, na mesma faculdade e na Escola de Sociologia e Política, diversos outros cursos.
Foi também professor do ensino primário, secundário, normal e superior, em estabelecimentos de ensino de Campinas, Casa Branca, São Carlos, Araçatuba, Jaboticabal, Mogi das Cruzes, Santos e capital. Todos seus cargos relativos ao ensino público foram obtidos exclusivamente por meio de concurso, atuando também no ensino particular. Tem várias obras publicadas sobre motivos literários e assuntos de educação e ensino.
Idealizador e principal realizador dos congressos normalistas de educação rural reunidos em Campinas (1945), Piracicaba (1947), Casa Branca (1949) e São Carlos (1951), chefiou a delegação de São Paulo em vários congressos educacionais realizados no País e a representação brasileira em certames reunidos no exterior. Presidiu, em Montevidéu, em 1957, o Congresso Americano de Educação.
Dentre as numerosas viagens de caráter cultural que empreendeu no Brasil e no exterior, esteve quatro vezes na Europa e doze em visita a diversos países sul-americanos. Presidiu, em Viena, na Áustria, uma reunião internacional de parlamentares representando todos os continentes. Esteve na União Soviética e nos países escandinavos, para estudar o problema da educação e, no oriente, onde representou o Brasil em certames internacionais de educação realizados na Índia, com a participação de delegados de cerca de 90 nações. Pronunciou, como conferencista, inúmeras palestras, inclusive no exterior, insistindo sempre no sentido democrático da educação. Defende a escola pública como garantia do bem comum, sustentando a tese de que o ensino primário deve merecer prioridade. Prega a escola como instrumento de justiça social e condição da estabilidade democrática.
Ingressou no Centro do Professorado Paulista, onde, mais tarde, foi candidato a presidente depois de ter militado como sócio e servido quatro anos como conselheiro, diretor e como vice-presidente. Depois de sua primeira gestão cheia de realizações, consolidando e ampliando o patrimônio material da entidade, atingiu o auge de seu prestígio moral e social, sendo reconduzido à presidência, para o quatriênio que terminara em 1964, após impressionante vitória eleitoral, quando a chapa que liderou venceu por esmagadora maioria de votos, permanecendo à frente do CPP até 1997. Promoveu, na base da classe, importantes campanhas de interesse do ensino e do professorado, algumas delas de excepcional envergadura, tal como a que em 1958 advogou: “Mais prédios para as escolas, melhores vencimentos para professores”, propondo a instituição do atual Fundo de Construções Escolares.
Lançou, em 1961, a campanha “Mais verbas para a educação”. Mobilizou o professorado de São Paulo, em circunstâncias até então desconhecidas no Estado, conseguindo realizar na capital e no interior, memoráveis concentrações de educadores, lançando assim as bases do movimento de mobilização em massa do magistério no País. Dentre esses cometimentos que alcançaram repercussão excepcional, destacam-se os desfiles e concentrações de 5 de maio de 1958, no Teatro Municipal de São Paulo, seguidos por outros no interior e coroados no dia 3 de outubro de 1961, pela monumental concentração de que participaram 10.000 professores no estádio do Palmeiras, em São Paulo, com passeata posterior pelas ruas centrais da cidade. Resultou desse movimento o envio de mensagem governamental à Assembléia Legislativa, no “Dia do Professor”, propondo melhoria das condições de remuneração do magistério primário, secundário, normal e industrial do Estado.
Por iniciativa sua, a Assembléia Legislativa realiza, anualmente, a 15 de outubro, o “Dia do Professor”, sessão extraordinária em homenagem à classe do magistério, quando não são pronunciados discursos, mas votados projetos que homenageiam ou atendam os professores. Por 8 dos 9 votos presentes à reunião que se realizou no Palácio Nove de Julho em 3 de junho de 1961, a Comissão de Educação e Cultura da Assembléia Legislativa elegeu por presidente, o deputado Sólon Borges dos Reis, que durante o exercício da presidência dinamizou os trabalhos daquele órgão técnico, em consonância com as exigências educacionais da atualidade.
Em defesa dos direitos e dos interesses dos pracinhas brasileiros que lutaram na Itália, na última guerra, obteve na Assembléia a instituição de uma comissão especial para zelar pelos ex-combatentes brasileiros. Atuou como titular ou suplente, nas comissões de finanças, justiça e serviço civil. Integrou também comissões especiais, destacando-se sempre na tribuna, na apresentação de proposições e como um dos deputados mais assíduos da Assembléia.
Exerceu o cargo de deputado estadual durante cinco mandatos e deputado federal por outros dois, inclusive durante a elaboração da atual Constituição Federal. Pertenceu à Academia Paulista de Letras. Eleito vice-prefeito de São Paulo em 1993, exerceu, em várias oportunidades, o cargo de prefeito. Foi secretário municipal da educação durante esse período. Atualmente, dirigia o Instituto de Pesquisas Educacionais Sud Mennucci, órgão ligado ao Centro do Professorado Paulista. Durante todo o tempo em que trabalhou pela educação, Sólon jamais se esqueceu da sua maior motivação: o magistério.
Ao professor Sólon, exprimimos a nossa gratidão pelo legado educacional que, certamente, servirá também às futuras gerações. Suas lições de justiça, de amizade e de amor pela sofrida classe do magistério estarão sempre presentes em cada canto do CPP. Obrigado, querido mestre!
A Diretoria - Vera Lúcia Durand da Silva - diretora - RG 4.524.061