Internacional

Julgamento de Saddam é retomado

Folhapress
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Bagdá - O ex-ditador Saddam Hussein afirmou ontem que o Iraque não deve “sentir culpa” pelo genocídio contra curdos cometido na década de 80. O processo no qual Saddam e outros sete réus são acusados do crime foi retomado ontem no Iraque. “Minha mensagem ao povo iraquiano é que eles não devem sofrer de culpa por terem matado os curdos”, disse Saddam pouco depois de o processo ser adiado para hoje.

O julgamento foi retomado ontem após três semanas de pausa. O reinício coincidiu com o 5.º aniversário dos ataques terroristas da Al-Qaeda contra os EUA, em 11 de setembro de 2001. Recentemente, um relatório do comitê do Senado americano indicou que não há ligações entre a rede terrorista e Saddam, apesar deste argumento ter sido utilizado, em 2003, para justificar a invasão do Iraque.

Saddam acusou testemunhas curdas de deporem contra ele devido a sectarismo e racismo. “Todas as testemunhas disseram ter sido oprimidas por serem curdas. Elas tentam criar tensões entre o povo iraquiano. Eles tentam criar divisão entre curdos e árabes”, afirmou.

O ex-ditador e outros sete réus - entre eles seu primo Ali al Majid, conhecido como “Ali, o Químico” - são julgados pela Operação Anfal, campanha contra os curdos realizada em áreas da fronteira com o Irã na década de 80. Segundo a promotoria, cerca de 180 mil morreram na ação.

Durante a audiência de ontem, Katreen Elias Mikhail, uma curda de 56 anos e ex-combatente da milícia, afirmou ter visto quatro aviões iraquianos lançarem uma onda de bombas em 5 de junho de 1987 na cidade de Qalizewa, obrigando a população a se refugiar em abrigos. “Eu senti um cheiro forte e estranho”, afirmou ela à corte. Mikhail relata ter ficado presa em um abrigo subterrâneo com o amigo Um Ali e dezenas de outras pessoas. “As pessoas caíam no chão. Elas vomitavam e seus olhos estavam vendados. Não conseguíamos ver nada”. “Estávamos todos com medo”, disse. “Foi a primeira vez que vimos bombas caindo sobre nossas cabeças.”

Sentada no banco das testemunhas, ela disse que uma amiga lhe disse que “toda a cidade estava sendo atingida por armas químicas”.

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