Dia 13 de setembro de 2006. Agora é para valer. Depois de três anos, nove meses e nove dias de interdição, a Ponte Ayrton Senna, importante elo de ligação do Núcleo Mary Dota ao Distrito Industrial 1, será liberada hoje, no final da tarde, conforme prometido pelo prefeito Tuga Angerami (sem partido). A rotina dos moradores irá mudar. Alguns se preocupam com o aumento do movimento de carros no local. Pequenos comerciantes comemoram e vislumbram a perspectiva de ampliar o lucro dos estabelecimentos. No entanto, ainda existe receio por parte de alguns.
O tempo de interdição gerou desconfiança na população. A reportagem do JC colheu opiniões de dez moradores que utilizam, corriqueiramente, a ponte. A maioria acredita que a obra será entregue e que não haverá mais nenhum problema. No entanto, eles foram unânimes em afirmar que “não colocariam a mão no fogo”. O prefeito e a secretária municipal de Obras, Elaine Orti de Araújo, embasados em estudos, afirmam que não haverá mais problemas. Acreditando no provável sucesso da obra, moradores esperam obter lucros com o aumento do movimento.
Manoel Batista Sobrinho, de 58 anos, mora no bairro há mais de 14 anos e acompanhou todo o processo, desde o início. Ele resolveu reabrir seu pequeno comércio, fechado logo após a interdição da ponte. “Resolvi abrir esse bar aqui porque é uma rua principal. Espero que agora, com a liberação da ponte, o movimento aumente. Pelo menos de carro eu tenho certeza que vai crescer”, opina.
O comerciante, que precisou fazer bicos como pedreiro depois que baixou as portas do comércio, acredita que a obra demorou muito para ser executada. “Trabalhei a minha vida toda em construção civil e tenho certeza de que o problema poderia ter sido resolvido em muito menos tempo. Foi muito devagar”, critica.
Enquanto o aumento do movimento é comemorado pelo comerciante, a dona de casa Raimunda Maria dos Santos Neves considera um motivo de preocupação. A mulher, que mora há 12 anos no elo de ligação até a ponte, rua Cezar Cruz Ciafrei, pensa na segurança das crianças. “Lembro que, com o pouco tempo de funcionamento, ficava muito ruim para a gente atravessar. Aqui tem muita criança, com mais carros passando, vai ficar mais perigoso”, acredita.
A moradora espera que seja implementado algum item de segurança para conter a velocidade dos automóveis. “Como aqui é uma descida, os carros passam rápido. Agora eles precisam se atentar a isso e colocar lombadas ou semáforos para coibir o abuso de velocidade”, opina a moradora.
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Interdição nunca mais
Segundo o prefeito Tuga Angerami (sem partido), a ponte será inaugurada hoje, provavelmente no final da tarde, depois do término das obras - sinalização no solo, pintura da ponte e retirada dos pinos que prendiam a ponte metálica improvisada. “A ponte ficou mais cara do que deveria ter ficado, mas de qualquer forma, temos aqui uma ponte que vai poder ser usada por muito tempo. Existem laudos de especialistas e estudos que orientaram os reforços que a estrutura teria que receber. Então, isso nos dá tranqüilidade”, afirma o prefeito.
Questionado a respeito da demora para a conclusão do projeto e um possível monitoramento da obra, o prefeito foi enfático. “Tudo o que foi feito aqui foi assegurar que esta ponte possa ser usada por muito e muito tempo pela população. Não há a necessidade de um monitoramento especial. Tomamos todos os cuidados necessários. Haverá apenas um acompanhamento rotineiro”, explica Tuga.
No total, foram gastos R$ 166.267,50 na reforma da ponte, que não será reinaugurada, mas apenas liberada para a passagem de veículos.