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Claudia Raia vive prostituta no musical ‘Sweet Charity’

Por Valmir Santos | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Claudia Raia, 1,80 m, tenta caber no corpo miúdo de Giulietta Masina. A atriz brasileira mira-se na personagem-guia da protagonista italiana do clássico “Noites de Cabiria” (1957), de Federico Fellini, para interpretar a prostituta do musical “Sweet Charity”, que pré-estréia hoje em São Paulo para convidados. “A minha Charity é muito mais a Cabiria”, afirma Raia, 39 anos.

De fato, a inspiração declarada do coreógrafo americano Fosse (1927-1987), quando da primeira montagem na Broadway, em 1966, era exatamente a obra de Fellini (1920-1993), pérola do realismo italiano em preto-e-branco. “Eu tento me encolher naquela melancolia da Cabiria e me coloco como uma prostituta, que é o que ela é, sem vergonha. Ela não gosta de ser, mas é. E procuro criar toda uma atmosfera de que ela não se encaixa nesse mundo, não é que seja apenas bobinha”, diz Raia, sobre o papel que Shirley MacLaine estrelou no cinema, em 1969, dirigida por Fosse.

A história de Charity não é doce. A também dançarina de cabaré tropeça em desilusões na busca do homem que poderia mudar sua vida. Entre eles, Charlie (Fernando Rocha), namorado que logo no início a joga num armário para surrupiar sua bolsa, ou Oscar (Marcelo Médici), sujeito claustrofóbico com quem ela tromba num elevador e por ele se apaixona.

São 27 atores-bailarinos em cena e uma orquestra de 13 músicos. A coreografia de Fosse, o texto de Neil Simon (sempre evocando Fellini), a música de Cy Coleman e as letras de Dorothy Fields ganham recriações na montagem brasileira. Ou seja, ao contrário de “O Fantasma da Ópera”, por exemplo, a promessa aqui é de uma versão brasileira.

“Essa liberdade, esse respiro, são o mais excitante do projeto”, afirma Charles Möeller, 39 anos, que assina a direção. Cláudio Botelho, 41 anos, responde pela tradução “bastante livre dos versos e diálogos”. Ainda quanto ao abrasileiramento, diz Botelho, há até “bordados” de samba na música dirigida por Miguel Briamonte. Isso não implica descuido com o cerne do original. Há 18 anos radicado na Áustria, o coreógrafo brasileiro Alonso Barros assina a adaptação da obra de Fosse.

“Interessa-me a sensualidade mínima, o gesto do dedo, o espalmar da mão, o deslocamento de um quadril, enfim, uma coreografia que não é nada apelativa. Gosto também do lado dark do Fosse”, avalia ele.

• Serviço

Pré-estréia de Sweet Charity hoje, às 21h, para convidados. Temporada a partir de sábado, às 17h e 21h; quinta e sexta-feira, às 21h e domingo, às 18h. Informações: (11) 6846-6040.

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