Londres - A Anistia Internacional divulgou relatório ontem classificando como crimes de guerra os ataques deliberados do grupo islâmico libanês Hizbollah a alvos civis no conflito com Israel. Segundo a entidade de defesa dos direitos humanos, 25% dos 4.000 foguetes lançados pelo Hizbollah contra Israel nos 34 dias de combates foram direcionados a áreas civis. O grupo libanês alegou que revidava.
“A escala dos ataques a cidades e vilarejos israelenses, a natureza indiscriminada das armas e declarações de líderes confirmando a intenção de alvejar civis deixam claro que o Hizbollah violou as leis de guerra”, afirmou a secretária-geral da Anistia, Irene Khan. “O fato de Israel também ter cometido sérias violações não justifica violações pelo Hizbollah”, completou. “Civis não devem ter de pagar o preço por condutas ilegais de cada lado.”
As críticas da Anistia Internacional ao Hizbollah vieram três semanas após a entidade, baseada em Londres, também ter feito acusações a Israel. De acordo com a Anistia, os israelenses propositadamente destruíram locais de venda de alimentos, bloquearam comboios de ajuda e deixaram fora de operação hospitais e serviços essenciais no Líbano para forçar a população a fugir. Israel alega que não alvejou civis e que avisou os habitantes do Sul libanês para saírem da área.
Cerca de 1.350 pessoas morreram nos 34 dias de combates, dos quais 1.200 no Líbano, a maioria civis, e 150 israelenses, incluindo 39 civis. Os foguetes do Hizbollah forçaram de 350 mil a 1 milhão de moradores do norte de Israel a deixarem a área, segundo a Anistia. Os que ficaram passaram a maior parte do tempo em abrigos. Cerca de 1 milhão de pessoas no Líbano também teve de fugir. Já os danos materiais foram estimados em US$ 1,8 bilhão em Israel e US$ 3,5 bilhões no Líbano. Demissão
O general Udi Adam, comandante do Exército israelense na área mais atingida pelo Hizbollah, o norte, pediu demissão ontem. Ele foi a primeira autoridade a fazer isso diante das críticas internas sobre o saldo da guerra. Durante o conflito, outro general já havia sido enviado pelo comando do Exército para atuar ao lado de Adam.
No mesmo dia, o ministro da Defesa, Amir Peretz, reconheceu que houve falhas no confronto com o Hizbollah. Ele disse também apoiar a abertura de um inquérito oficial sobre a atuação na guerra. Ainda ontem, o governo alemão aprovou o envio de 2.400 homens de suas forças aérea e naval para integrar o contingente internacional no Líbano.