Em decorrência de complicações causadas em virtude de uma pneumonia, faleceu ontem, às 11h50, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Beneficência Portuguesa, Virgílio Pontes. “Sêo Virgílio”, como era conhecido, tinha 89 anos e se tornou conhecido nacionalmente por ser o pai do primeiro brasileiro a chegar ao espaço, o astronauta bauruense Marcos César Pontes. O corpo foi velado durante a tarde e noite de ontem e será enterrado hoje, às 11h30, no Cemitério Jardim do Ypê, zona sul da cidade. A presença do astronauta, que ontem estava na cidade americana de Houston, foi confirmada pela sua assessoria de imprensa.
Virgílio Pontes foi internado na noite de sexta-feira, quando seu médico identificou que o pulmão direito havia sido atingido por uma pneumonia. Na ocasião, Marcos Pontes estava no Brasil. Ele havia participado do desfile de 7 setembro, na quinta-feira, e na sexta-feira de uma homenagem em Foz do Iguaçu, onde foi erguido um busto em reconhecimento aos feitos do astronauta.
Segundo a assessoria de imprensa de Marcos Pontes, como a idade do pai era avançada, o astronauta fez o possível para visitá-lo na UTI, em Bauru. No entanto, o deslocamento até o centro-oeste paulista não aconteceu devido à incompatibilidade de horários dos vôos, já que a passagem para Houston já estava marcada antes do surgimento das complicações. De acordo com a assessoria, Pontes embarcou na noite de ontem para o Brasil e deve chegar a Bauru momentos antes do enterro, no final da manhã.
Os primeiros sinais de que o estado de saúde de Virgílio Pontes era preocupante surgiram na madrugada do último dia 7. “Ele começou a reclamar de dores no corpo e de ânsia. Eu o levei para o Pronto-Socorro Central, onde foi medicado. Ele voltou para casa, dormiu bem à noite, tomou sopa e não reclamou de nada”, explica um dos oito netos, José Carlos Rissato Júnior, que acompanhava o avô.
De acordo com a filha de sêo Virgílio, na sexta-feira os sintomas retornaram. Ele foi levado ao hospital e de lá não saiu mais. Seu pulmão direito estava tomado por uma pneumonia. O estado de saúde piorou com o passar dos dias. A pneumonia se instalou nos dois pulmões e ele precisou ser internado na UTI, com insuficiência respiratória. Às 18h de anteontem, seu estado piorou e ele entrou em coma. Na manhã de ontem, ele faleceu.
História
Virgílio Pontes nasceu em Pederneiras, a 26 quilômetros de Bauru, em 1917 e trabalhou na lavoura com seu pai até completar 18 anos, quando mudou para Bauru. Na cidade, trabalhou como alfaiate até 1961, quando se tornou funcionário público. Ele trabalhou como ajudante-geral no extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) até a aposentadoria.
Rosa Maria Pontes, filha de Virgílio, destaca as virtudes do pai. “Ele era uma pessoa extremamente carinhosa, honesta e humilde. Mas o que mais ele prezava era a família. Ele dedicou a vida toda a nós e à esposa (Zuleika Navarro Pontes, falecida em 2002)”, destaca.
Segundo Rosa, o carinho destinado ao filho caçula sempre foi especial. “Era muito bonito o apego que ele tinha ao Marcos. Lembro que quando ele tinha 4 anos, eles dormiam juntos e ele adorava”, confessa.
O filho mais velho, Luiz Carlos Pontes, também destacou a dedicação do pai à família. “Com toda a certeza, meu pai viveu e cumpriu sua maior missão: cuidar de seus filhos. Este é um momento triste, mas um fato da vida que temos que conviver”, observa.
O amigo Víctor Vanuzini, de 70 anos, compareceu ao velório para prestar sua homenagem. “Eu o conhecia há mais de 40 anos. Ele sempre foi uma ótima pessoa. Com certeza é uma grande perda”, revela o colega, que era constante companhia em quermesses e cinemas. “A lembrança que vai ficar é da amizade que eu tinha com uma pessoa prestativa e sempre disposta a ajudar”, completa, emocionado.