Polícia

Impasse atrasa enterro de bebê

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O luto do casal Cristiane de Lima Souza e José Ivanildo da Silva Ferreira, moradores do Jardim Nicéia, transformou-se em revolta anteontem. Além de lidarem com o dissabor da morte do primogênito (nem duas horas depois de seu nascimento), o pai enfrentou uma romaria para conseguir liberar o corpo do bebê.

A causa da morte do recém-nascido, além de atrasar o enterro, desvendou um impasse envolvendo a Associação Hospitalar de Bauru, o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) da prefeitura e o Instituto Médico Legal (IML). O problema começou quando a funerária procurada pela família não aceitou o laudo da morte expedido pela Maternidade Santa Isabel, que apontava causa indeterminada.

Diante da recusa, o pai do bebê voltou a pé à maternidade (onde a criança nasceu e morreu) para tomar providências, sem saber que a peregrinação estava só no começo. De lá, ele foi conduzido ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO) da administração municipal. O órgão, no entanto, teria se recusado a fazer o exame de necropsia, por não ser sua atribuição.

Por fim, a maternidade registrou boletim de ocorrência e tentou encaminhar o caso ao Instituto Médico Legal (IML), mas o serviço foi negado pela mesma razão. O impasse resultou num inquérito instaurado no 3.º Distrito Policial. De acordo com o delegado Francisco Bromatti Filho, o objetivo é apurar de quem é a competência pelo exame.

Revolta

A Associação Hospitalar de Bauru (AHB) - mantenedora da maternidade, do Hospital de Base e do Hospital Manoel de Abreu - também está sob investigação porque não dispõe do serviço. “Hoje (ontem) e ontem (anteontem), eu andei tanto que dava para chegar em Pernambuco e voltar. Minha revolta só crescia. Faltei dois dias do serviço e estou em experiência”, conta Ferreira.

A reportagem apurou que, diante da situação, o SVO procedeu a necropsia e apontou uma parada respiratória como causa da morte do bebê. O garoto, que se chamaria Claudemir, foi enterrado ontem à tarde, no cemitério do Jardim Redentor. Ele nasceu às 2h de anteontem.

Se não tivesse sucumbido, ele seria criado numa casa de madeira com três cômodos, no Jardim Nicéia. Seu berço e suas roupas já estavam arrumados à sua espera. “Recolhemos e empacotamos as coisas para ela (Cristiane) não ver (quando voltasse da maternidade). Como eu seria madrinha, dei minha bênção para ele ir em paz”, conta Silvia Helena de Souza.

A mãe, de apenas 16 anos, com as dores da cesárea e descarga de leite, foi de poucas palavras. Apenas contou que fez corretamente o pré-natal, sentiu dores no ventre uma semana antes do parto, foi internada e recebeu alta. Voltou à maternidade poucas horas depois para dar à luz.

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Recém-nascido

A assessoria de imprensa da AHB informa que o filho de Cristiane de Lima Souza e José Ivanildo da Silva Ferreira nasceu relativamente bem, mas depois de uma hora e meia começou a passar mal e morreu. O médico responsável por ele, no entanto, não chegou a um diagnóstico.

Frente a situação, a Maternidade Santa Isabel registrou boletim de ocorrência para que a causa da morte fosse apurada. Em situações semelhantes é comum que os hospitais remetam o corpo ao Serviço de Verificação de Óbito (SVO), acrescenta o órgão de comunicação da entidade.

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Cobrança

A inexistência de um serviço de verificação de óbito para atender os hospitais mantidos pela AHB levantou suspeitas porque há cinco anos o necrotério do Hospital de Base (HB) cobra R$ 10,00 para liberar os corpos para lá enviados. A informação foi confirmada por quatro funerárias consultadas pela reportagem e pela assessoria de imprensa da associação.

De acordo com o órgão de comunicação, a taxa foi instituída numa reunião realizada entre a AHB e funerárias convidadas. Na ocasião, o valor foi estabelecido para ser aplicado na manutenção dos dois necrotérios do HB e na reforma do necrotério do Hospital Manoel de Abreu, cuja obra já foi concluída.

Mas é possível que a verba seja investida na manutenção do novo serviço de verificação de óbito a ser instalado nos necrotérios do HB, caso a associação e a prefeitura acertem a parceria, conclui a assessoria de imprensa.

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