O presidente do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, Ricardo Izar (PTB), revelou ao JC, em visita à redação anteontem, que solicitou à Polícia Federal (PF) que seus telefones fossem grampeados. A medida, curiosamente, foi tomada pela proteção de Izar, uma espécie de blindagem contra pressões e eventuais ameaças e propostas indecorosas em razão de suas funções na presidência do conselho que investiga 67 deputados acusados de participação no esquema de corrupção através da compra de ambulâncias, episódio investigado na CPI das Sanguessugas em Brasília (DF).
“Eu pedi para ser grampeado porque isso me protegeria e assim vai ficar até o final desse trabalho. Vocês não têm idéia das pressões que eu sofri para que os processos não fossem colocados em discussão na comissão antes da eleição. Mas eles foram colocados e, cumprindo o regimento, todos serão finalizados”, conta.
Izar também avaliou que, por falta de provas, alguns citados no episódio devem conseguir relatório pela absolvição. “É evidente que em alguns casos podemos não conseguir provas de que o deputado participou. Se os elementos ficarem restritos aos assessores, sem participação do deputado, vai ficar difícil”.