Quando instalou o ambulatório para fazer testes do pezinho, há oito anos, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru almejava levantar recursos para otimizar o atendimento especializado dirigido às pessoas com deficiência mental, múltipla, física e autismo. Ledo engano. Atualmente, o serviço oferecido gratuitamente a 212 municípios paulistas não dá prejuízo, mas também não garante lucro.
A execução média de 5.500 exames mensais só empata porque a entidade passou a importar da Finlândia os kits necessários para a realização dos testes. “Antes comprávamos de empresas brasileiras, mas como a Apae é (uma instituição) filantrópica, é isenta de alguns impostos. Passamos a economizar de 30% a 40%”, diz Karla Panice Pedro, bioquímica responsável pelo laboratório.
Sem apontar números, ela conta que a estratégia foi necessária porque há 12 anos o governo federal não reajusta o valor repassado às entidades que fazem o teste. A remuneração prevista pela tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) é de R$ 5,00, sendo que, normalmente, os custos com exame apontados por outras unidades conveniadas são de R$ 7,00.
Reajuste
Para diminuir o déficit, a União Brasileira dos Serviços de Referência em Triagem Neonatal (Unisert) negociou com o Ministério da Saúde (MS) alta de 5% no valor do repasse. O ideal, no entanto, seria o dobro, diz Karla. Para ela, quanto mais, melhor.
“A Apae mantém seus serviços com a colaboração da comunidade e com eventos como a feira. Também recebe verbas estaduais e federais. Dá para contornar”, afirma a bioquímica. O jogo de cintura terá de continuar por tempo indeterminado. Prometido para este ano, o reajuste não tem data para ser repassado.
Segundo a assessoria de imprensa do MS, a alta ainda não foi concretizada porque 2006 é um ano atípico: o orçamento foi aprovado com atraso (os recursos passaram a ser liberados só a partir de junho) e é ano eleitoral. O governo federal tem adotado cautela para não dar impressão de que o reajuste é eleitoreiro, acrescenta o órgão de comunicação.
Mas mesmo quando o reajuste sair, o valor será ínfimo frente ao que cobra a rede particular. De acordo com Karla e a Unisert, na iniciativa privada o teste custa mais de R$ 50,00. O exame é importante porque é capaz de detectar doenças que, tratadas precocemente, previnem o retardo mental, explica a pediatra Maria Tereza Mondelli. Para ela, o teste deve ser valorizado e mantido.
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Feira da Bondade
A 29.ª Feira da Bondade da Apae de Bauru começa hoje. Conforme o JC veiculou, além das atrações já tradicionais, neste ano os convidados ainda poderão aproveitar o evento para fazer teste de glicemia, aferir a pressão arterial e se submeter à avaliação audiológica.
Interessados em ginástica laboral e orientação postural, por exemplo, também serão contemplados. Também estarão expostos e à venda materiais e equipamentos para pessoas com deficiência.
As crianças ainda poderão passear a cavalo, acompanhar a exposição de carros e motocicletas, aproveitar a brinquedoteca e acompanhar clipes musicais. No recanto ecológico, poderão conferir minivacas, pôneis e aves exóticas. Já os adultos poderão aproveitar os artigos para casa, bebês e crianças, além de tapeçaria, moldura, espelhos, tapetes, almofadas, bijuterias, bichos de pelúcia e roupas.
Os participantes não pagam nada para entrar e concorrem a uma bicicleta, uma máquina fotográfica e um aparelho de som. Um ônibus levará gratuitamente os interessados até o Recinto Mello Moraes. Ele partirá a cada hora da Praça Dom Pedro II, em frente à Câmara Municipal.
• Serviço
Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3234-3064.