Apontado como o maior problema do setor, a inversão do atendimento – quando as unidades de urgência e emergência atendem mais usuários que as Unidades Básicas de Saúde (UBS) -, enfim, começa a ser revertida em Bauru. Dados do segundo trimestre de 2006 mostram que 50,6% das consultas médicas foram realizadas nas UBS, enquanto o Pronto-Socorro Central atendeu 43,9%.
Em 2004, início da administração do prefeito Tuga Angerami, a média anual das consultas que se concentravam nas unidades de urgência e emergência foi de 50,8%, enquanto as UBS atenderam 43,2%. Muito comemorado pelo setor, o número do último trimestre ainda está longe do ideal preconizado pelo Ministério da Saúde, que indica o máximo de 20% dos atendimentos realizados nas unidades de urgência e emergência.
Para o secretário municipal de Saúde, Mário Ramos, o número comprova que o trabalho desenvolvido pelo setor está no caminho certo. “Isso é histórico. Começamos a demonstrar que o quadro está se revertendo”, comemora. Apesar do saldo positivo, Ramos sabe que o número está longe do ideal. “Temos que consolidar ainda mais as ações e investimentos na rede de atenção básica”, avalia o secretário.
Cláudio da Silva Gomes, coordenador do Conselho Municipal da Saúde, ressalta que ainda há muito o que ser feito pela Saúde de Bauru. Para ele, a secretaria deve terminar os projetos iniciados esse ano, como a informatização da rede de atenção básica e a reforma das unidades para que o número se aproxime do ideal.
Porém, Gomes adverte que resolver o problema da falta de médicos ainda é o principal desafio do setor. “Não basta reformar as unidades, deixar o prédio bonito, mas não contratar médicos. Senão, as pessoas não conseguem atendimento nas UBS e vão procurar consulta no PSC. Aí, o modelo volta a retroceder”, observa. O Diário Oficial de Bauru (DOB) publicou no dia 7 de setembro edital de processo simplificado para a contratação de clínicos gerais e pediatras para a rede básica. Em maio, o déficit era de 41 clínicos e 15 pediatras. Esse é o terceiro processo seletivo para a contratação de profissionais em caráter temporário.
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Próximo ano
Anteontem, a Secretaria Municipal de Saúde apresentou ao Conselho o plano plurianual para o setor. Segundo Ramos, o projeto apresentou a continuidade dos trabalhos realizados em 2006. Gomes ressalta que uma proposta importante foi o aumento do número de equipes do Programa Saúde da Família (PSF), apontado por especialistas da área como sendo a melhor ferramenta da atenção básica de saúde.
Bauru conta com apenas uma equipe, que atende a população do Pousada da Esperança. Até o início de outubro outras seis serão implantadas. Parque Santa Edwirges receberá quatro unidades do PSF e a Vila São Paulo outras duas. E para 2007, o objetivo é aumentar para dez o número de equipes atendendo a cidade.
Um dos pontos que gerou polêmica foi a apresentação de uma dotação orçamentária de R$ 605 mil para um plano de saúde privado para os servidores.
O Conselho se posicionou contra essa dotação e pretende verificar no Ministério da Saúde a legalidade do plano particular dos funcionários.