São Paulo - Os candidatos Geraldo Alckmin (PSDB) e Heloísa Helena (PSOL) aproveitaram a crise da Bolívia para atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alckmin e Heloísa, em eventos distintos, disseram que Lula foi “omisso” e “incompetente” para negociar a questão do gás com a Bolívia.
“A posição do Lula foi submissa, foi omissa, foi fraca, e agora nós temos, culminando esse processo, o governo da Bolívia (Evo Morales) dizendo que sequer vai pagar”, disse Alckmin no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, antes de embarcar para Juiz de Fora (MG).
Para Heloísa, Lula foi “incompetente”, pois não negociou com a Bolívia no tempo correto. “O governo Lula sabia de todo o processo. A Constituição boliviana, o povo boliviano em plebiscito decidiu, Congresso também (decidiu)”, disse. “Infelizmente, todo esse processo que vive hoje a Petrobras, é resultado da incompetência e irresponsabilidade do governo Lula, que na semana que deveria ter ido à Bolívia para discutir a situação dos bens e serviços da Petrobras, não foi.”
Heloísa afirmou que a “Petrobras é dinheiro do povo brasileiro, que lá está investido”. “O governo não foi lá discutir as compensações para a indústria nacional pelo possível aumento para a tarifa do gás para proteger trabalhadores brasileiros, especialmente os paulistas”, afirmou.
Para Alckmin, a crise com a Bolívia ilustra como Lula coloca interesses ideológicos à frente dos nacionais. Segundo ele, o presidente brasileiro apoiou Morales, mesmo sabendo que ele tinha tinha intenção de expropriar as plataformas da Petrobras.
“Essa questão da Bolívia é mais um exemplo, mas essa tem sido a rotina”, afirmou. O tucano disse ainda que, se for eleito, vai recorrer a tribunais internacionais para reverter as decisões de Morales e exigir o cumprimento dos contratos. E criticou a demora do governo brasileiro em tomar essa decisão.
“Mas é óbvio que já deveria ter sido recorrido. Essa é a postura mínima que se espera.” O candidato do PDT, Cristovam Buarque, criticou o governo porque vai ter que agir “atrasado”. “Eu teria agido (para evitar a crise) desde a eleição do Morales, porque ele avisou que faria isso, na própria campanha”, afirmou o candidato, em entrevista por telefone.
“Agora, o momento é de muita diplomacia, mas o Brasil pode fazer duas coisas. Ameaçar procurar outro fornecedor de gás, que tem muitos espalhados pelo mundo. E forçar a Bolívia a cumprir o acordo nos foros internacionais”, acrescentou.