Polícia

Casas de construção sofrem golpe

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Pelo menos três empresas de materiais de construção em Bauru foram vítimas de um estelionatário, descoberto ontem pela polícia. O vendedor Carlos Eduardo Messa, 24 anos, comprava as mercadorias com cheques clonados e depois fazia a revenda. Ele confessou o crime contra uma loja do Jardim Bela Vista, onde adquiriu cerca de R$ 4 mil em materiais.

Conforme o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Silberto Sevilha Martins, a polícia conseguiu chegar ao rapaz através de uma mulher que recebeu o material. Ontem, a equipe da DIG recuperou a compra na casa de Messa, localizada na rua Ernesto Turini, no Jardim Flórida.

Embora a mulher tenha alegado que não tinha conhecimento sobre a procedência ilícita da mercadoria, Martins acredita que ela tenha obtido alguma vantagem na aquisição do material.

“O caso está em fase de apuração. Agora, vamos investigar a origem desse cheque, onde foi clonado e investigar se existem mais pessoas envolvidas. Entretanto, ele (Messa) responderá processo por estelionato em liberdade”, comenta o titular da DIG.

O dono da loja de materiais de construção que foi vítima do estelionatário, Ricardo José Nunes, conta que o rapaz, primeiramente, fez uma compra no valor de R$ 5 mil, entre cimento, argamassa, ferros e louças sanitárias. Um dia depois, voltou ao estabelecimento para cancelar parte do pedido, alegando dificuldade financeira. Mesmo assim, o valor da compra ficou em R$ 4 mil.

“Ele levou a mãe para escolher os itens. Disse ainda que parte dos materiais seriam para a irmã. Depois de 30 dias, quando depositamos os cheques, descobrimos que eram fraudados. O nome da pessoa que constava não existia”, diz Nunes, que contabiliza prejuízo de R$ 2 mil por conta do golpe.

Ele também ressalta que não percebeu qualquer atitude suspeita quando Messa procurou a loja para fazer a compra. “Ele agiu, simplesmente, como uma pessoa sensata, que sabia o que estava fazendo. Consultei a Serasa (órgão de análise de crédito), mas tive aval para aceitar os cheques”, acrescenta. O estelionatário emitiu dois cheques no valor de R$ 1.083,00 e um de mais de R$ 1.500,00.

Confissão

Carlos Eduardo Messa, 24 anos, confessou à polícia que tinha consciência sobre o crime que estava praticando. Entretanto, argumentou que foi necessário.

“Eu estava precisando pagar algumas contas e acabei fazendo essa bobagem. Dei vários cheques e comprei várias coisas. Tinha consciência de que era um ato criminoso”, respondeu Messa à reportagem do JC. Se condenado, conforme o delegado da DIG, pode cumprir pena de 1 a 5 anos de reclusão.

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Crime é comum

De acordo com o delegado Silberto Sevilha Martins, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a prática de estelionato é bastante comum em Bauru. Ele destaca que o golpe é aplicado, principalmente, em casas de materiais de construção e de produtos alimentícios por conta dessas mercadorias serem de fácil aceitação no mercado para a revenda.

“Essas pessoas usam o argumento de que não têm condições de construir e precisam se desfazer do material. Assim, conseguem vender sem qualquer suspeita”, diz Martins.

O delegado acredita que a facilidade de compra oferecida no comércio atualmente tem contribuído muito para a prática do crime na cidade. “As lojas acabam facilitando a venda, imaginando que todas as pessoas são honestas. E o estelionatário age exatamente nesse filão do mercado”, ressalta Martins.

O delegado lembra que os estelionatários não têm o hábito de efetuar a compra sem discutir preço e prazo com os vendedores. Algumas transações, segundo ele, duram semanas, já que precisam se comportar como consumidores comuns para evitar suspeitas.

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