Brasília - O ministro Nelson Machado (Previdência) afirmou ontem que haverá corte de ponto dos peritos do INSS que entraram em greve ontem. O ministro justificou que a população não será a única a ter prejuízos com a paralisação. “Essa greve certamente vai prejudicar muito fortemente nossos segurados, mas vai prejudicar também os médicos peritos.
O ponto está sendo cortado, os dias serão descontados e obviamente nós teremos um problema sério com a gratificação que os médicos peritos têm neste momento”, disse o ministro, após participar de solenidade no Palácio do Planalto.
Segundo o ministro, a greve não vai resolver o problema da categoria. “As medidas nós estamos negociando com as lideranças, tentando fazê-los ver que a greve da maneira que está colocada só aprofunda o problema. Se o problema é de reduzir o grau de estresse, de reduzir o grau de violência, uma greve dessa maneira só faz ampliar o sofrimento dos nossos segurados”, advertiu. Um dos motivos da greve é a falta de segurança no local de trabalho. O movimento ganhou força depois que médica perita Maria Cristina Souza Felipe da Silva, em Governador Valadares (MG), foi assassinada.
Para a Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP), o assassinato pode estar ligado à violência contra peritos médicos da Previdência, que já relataram ameaças à Polícia Federal de pessoas interessadas em conseguir benefícios irregulares do INSS. Os peritos querem melhorias na segurança no trabalho e alegam que são agredidos por segurados insatisfeitos com os resultados dos exames.
O ministro disse que uma das medidas que está sendo estudada para oferecer mais segurança aos peritos é encaminhar a carta de concessão ao benefício do INSS pelos Correios. Nelson Machado ponderou, entretanto, que esta medida exige tempo. “Obviamente isso demanda alterar sistemas, alterar a programação da dataprev e, portanto isso vai ser implantado, agora pelo nosso cronograma no dia 16 de outubro”, disse.
Nelson Machado sinalizou que o governo está disposto a negociar apenas com relação à segurança. “Ultimamente começou a aparecer pauta pra redução de hora de trabalho, são coisas inaceitáveis neste momento. Então eu acho que a associação está misturando neste sentido alhos com bugalhos”, alertou.