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Presidente diz que seu governo dá ‘surra’ no de Fernando Henrique

Folhapress
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Brasília - Em discurso ontem à noite em Natal (RN), diante de cerca de 10 mil pessoas ensopadas por uma tempestade que caiu no momento da sua chegada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar as “elites” e a se colocar como defensor dos pobres. Disse que seu governo “dá uma surra” no do PSDB. “Nós damos uma surra neles em todos os itens”, disse, antes de completar: “O que mais os machuca é comparar 44 meses do governo”.

O presidente iniciou sua fala dizendo que não atacaria a oposição. “Não vou falar mal de ninguém, não vou falar mal dos nossos adversários.” Logo a seguir, porém, partiu ao ataque. “Do outro lado está o pessoal que ainda não votou o Fundeb, o pessoal que ainda não votou a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, estão as pessoas que não querem que o nosso governo dê certo.”

Lula também voltou a falar mal do legado da gestão de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Citou o risco-Brasil de 2002, que chegou a níveis recordes justamente pelo temor de que Lula fosse alterar radicalmente o rumo da economia, e falta de crédito. “Eu não fiz nenhuma bravata, agi como um presidente de país grande, que deve ter responsabilidade.”

Insistiu na estratégia de dizer que foi vítima de preconceito durante a crise do mensalão. “Nós apanhamos. Eu ouvia na tribuna do Senado a transmissão do ódio, até do ódio de classe de quem não suportava esse operário metalúrgico, filho de nordestino, que não poderia ser presidente e deveria estar dentro de uma fábrica”, disse.

Segundo ele, a oposição queria ver na Presidência apenas “gente fina e gente letrada”. “Tem uma elite que nunca suportou um governante que fizesse as coisas para os pobres. Para eles, pobre só tem importância na época das eleições.”

Mais cedo, em Brasília, Lula havia afirmado que os presidentes que vieram antes dele não conheciam “o Brasil dos grotões” e governavam sempre para “30% da população”, deixando à margem quem não tem poder de mobilização.

“Normalmente, as pessoas que governam o Brasil conhecem pouco o Brasil. Não são muitos os governantes que adquiriram o hábito de andar o Brasil, o Brasil dos grotões, o Brasil da periferia, o Brasil fora de época de ano eleitoral, o Brasil para conhecer a gente e a alma da gente”, disse o presidente, na cerimônia de sanção da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional. “O Brasil adquiriu o hábito cultural de ser governado para 30% da população. Não foram poucos os governantes que afirmaram que o Brasil teria que ser governado para quem tem poder de pressão, para quem tem poder de organização. Essa parcela de que estamos falando, lamentavelmente, durante décadas e décadas não teve esse poder de organização. Então, cabe ao Estado brasileiro, se autodefinir como gestor dos interesses da sociedade e não como gestor dos interesses dos governantes”, disse Lula.

Ele falou na necessidade dos governos prestarem contas aos “anônimos”, não só à parcela organizada da sociedade.

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