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O que é pior?


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Após a leitura dos jornais do fim de semana e de um livro (A Redação e seu Ensino, organizado por Marcos Júlio e Sérgio Simka e publicado por Espaço Editorial em 2005) que me levou a pensar e refletir para quem nós, os jornalistas, escrevemos, resolvi perguntar a você, caro leitor, que, salvo melhor juízo, é o alvo deste artigo semanal publicado em O Estado de Mato Grosso do Sul: o que é pior, neste período pré-eleitoral (nacionalmente falando) e mundialmente tão conturbado?

1) Ler em detalhes, tantos quantos possíveis, que o Partido dos Trabalhadores não se conforma com mais uma derrota humilhante para o Governo do Estado de São Paulo, a ser imposta pelo ex-presidenciável José Serra (PSDB) ao senador Aloízio Mercadante (PT), e, por isso, busca a todo custo, inclusive financeiro, uma armação contra o ex-companheiro de exílio e noitadas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Inclusive com a denunciada compra de um dossiê e entrevistas falsos, encomendados a gente desqualificada?

2) Tomar conhecimento da íntegra de uma carta de crítica e autocrítica escrita e divulgada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, assim como de todas as conseqüências que ela provocou, tanto dentro do PSDB, o partido de FHC, quando junto a aqueles partidos que fizeram oposição ao governo dele?

3) Ver, ouvir e ler a saraivada de críticas que o mundo está fazendo ao presidente Lula e à respectiva política externa, tão estranha quanto surpreendente, em razão das irresponsáveis e atabalhoadas decisões do governo da Bolívia em relação à Petrobrás?

4) Dar de cara, diariamente, e nos piores horários, com um bando de despreparados que ousam pedir nossos votos para presidente da República, governador, deputados estaduais e federais?

5) Ser obrigado a agüentar as críticas, cada vez mais absurdas, de um candidato contra o outro, só porque as elites do País, cada vez mais ricas (ou pobres, a depender do caso) não querem Lula nem pintado de ouro e os miseráveis, beneficiados por uns trocados distribuídos mensalmente pelo Governo Federal, insistem em reeleger o atual ocupante do trono do Palácio do Planalto?

6) Ler, de um lado, a defesa que fazem aqueles que apóiam Geraldo Alckmin (PSDB), por ele ter fama de honesto e trabalhador, e, de outro, os petistas e simpatizantes defenderem Lula e a permanência dele na Presidência da República sob a alegação de que “ninguém fez tanto pelos pobres deste País”?

7) Ou, então, melhor seria voltar a viver algo parecido com os 25 anos, a partir de 31 de março de 1964, em que estivemos sob o comando dos militares de plantão, quando o Brasil cresceu, sem dúvida, mas pagou um preço tão alto, elevado demais, pela falta de liberdade (em todos os sentidos: política, empresarial, civil, estudantil, de expressão e de manifestação, etc.), pelas altas taxas de inflação, pela excessiva concentração de renda, pela ampliação do número de analfabetos e miseráveis, pela decadência do ensino público, pela proliferação da corrupção, pelo surgimento de lideranças identificadas com o coronélismo, pelo atraso tecnológico, pela explosão da dívida externa, etc.?

Pense nisso, caro leitor, ao se postar diante da urna eletrônica no próximo dia 1 de outubro.

O autor, Cláudio Amaral, é jornalista há 38 anos, trabalhou no Estadão, no Correio Braziliense, no Grupo Folha de S.Paulo, no Jornal do Brasil, na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e no Comércio da Franca. Foi Diretor de Redação de O Estado de Mato Grosso do Sul de agosto de 2004 a janeiro de 2005. clamaral@estadao.com.br

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