Economia & Negócios

Médicos peritos encerram greve

Por Lucien Luiz | Com Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A greve dos médicos peritos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) terminou ontem, depois que o governo garantiu que os resultados das perícias serão entregues por meio de cartas registradas a partir do dia 29 de setembro. A previsão anterior era de que isso ocorreria apenas em 16 de outubro.

Hoje, o atendimento retorna ao normal em todo o País. Em Bauru, os 14 profissionais do órgão estavam parados desde sexta-feira. A paralisação ocasionou até ontem o cancelamento de 340 atendimentos. Apenas 30% das 250 consultas diárias agendadas estavam sendo cumpridas. Esse percentual correspondia somente a casos de urgência e emergência.

“Cerca de 80 pessoas estavam sendo consultadas por dia e pelo menos 170 voltavam para casa sem passar pelo médico”, diz a chefe do setor de benefícios do INSS em Bauru, Fátima Tavares.

A categoria aderiu ao movimento para reivindicar melhores condições de trabalho e, sobretudo, mais segurança no ambiente onde prestam atendimento. Os peritos temem represálias, especialmente dos pacientes que ficam insatisfeitos quando recebem alta. Segundo os médicos, a maioria alega não estar apta para voltar ao trabalho, apesar da perícia confirmar o contrário.

“Nós somos agredidos por segurados que ficam insatisfeitos com os resultados dos exames e quando o benefício é suspenso, por exemplo”, diz Paulo Roberto de Souza Oliveira, representante da Associação Nacional dos Médicos Peritos (ANMP) em Bauru.

O gerente-executivo do INSS em Bauru, Josué Lopes Moreira, reitera as palavras de Oliveira. Segundo ele, os profissionais são agredidos verbalmente, além de sofrerem pressão psicológica dos pacientes. Por conta disso, ele pretende instalar microfones nas salas de perícia para gravar as conversas durante as consultas. A contratação de um porteiro é outra medida que deve ser viabilizada para aumentar a segurança dos profissionais. Hoje, o setor de perícias do INSS em Bauru conta com três vigilantes, porém, dois deles cuidam das portarias. Com a contratação do porteiro, Moreira teria mais um vigilante para fazer a ronda entre os segurados.

“Vamos solicitar também uma câmera de filmagem na área externa de espera dos segurados, porque de fato, muitos pacientes deferem palavras de baixo calão e fazem ameaças contra os peritos”, comenta Moreira. O gerente encaminhou ainda ontem as propostas à gerência regional do INSS em São Paulo.

De acordo com o INSS, as unidades de atendimento também passarão a contar com o sistema de vigilância eletrônica para garantir a segurança dos peritos.

Com a antecipação do resultado por carta, a categoria vai abrir mão de outra reivindicação, que é a presença de seguranças armados nas agências de atendimento.

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