Os políticos da “cidade sem limites” ainda não descobriram que Bauru não é uma cidade industrial e sim universitária. O município possui pelo menos 6 instituições de ensino superior, recebendo alunos de toda a região. E por que, então, não há um mínimo de abono no transporte coletivo para estes estudantes? Existe uma lei municipal que diz que maiores de 18 anos não possuem direito a desconto na tarifa de ônibus, ou seja, praticamente todos os universitários da cidade.
Em três anos e meio, a tarifa aumentou pelo menos R$ 0,40. Quando aqui cheguei, no início de 2003, a passagem era aproximadamente R$ 1,20. À época do último aumento, disseram que a tarifa se elevaria, mas a qualidade do serviço estaria garantida. Aquele velho esquema de policagem, promete-se muito, cumpre-se beirando o nada. Na segunda-feira desta semana, aguardava um coletivo na avenida Nações Unidas por volta das 19h40. Esperava a linha “Câmpus / CTI”. Não demorou para passar no ponto, mas demorou muito em seu trajeto. Era uma daquelas linhas sem cobrador. Apareceram várias pessoas com notas de R$ 10,00 e o motorista, despreparado, não tinha agilidade para dar o troco aos passageiros. Resultado: muita demora e lentidão em todos os pontos da avenida. Meia hora em um trajeto de, no máximo, dez minutos. Fiquei observando e descobri que qualquer um passaria pela roleta de graça sem que o motorista percebesse. Duro é saber que, não muito distante, teremos outro aumento e o serviço, claro, vai continuar o mesmo.
Gabriel Ruiz - estudante jornalismo na Unesp - RG 32.624.071-8