É só o inverno chegar ao fim e a primavera despontar para os casos de catapora abarrotarem as unidades de saúde e clínicas pediátricas. Nesta época, a incidência da doença chega a triplicar em relação aos outros meses do ano, segundo informações do Departamento de Saúde Coletiva (DSC).
Nos consultórios, o vaivém de crianças acometidas já leva a pecha de surto. É difícil confirmá-lo, no entanto, porque a doença não é de notificação obrigatória, pondera o infectologista Marcelo Pesce. Com base em suas impressões, a quantidade de pacientes acometidos neste período de 2006 parece superior ao registrado no ano passado.
Por enquanto, nos primeiros nove meses do ano o DSC já computou 81 casos. O órgão monitora a propagação da catapora por meio das unidades de saúde e hospitais, informa Hilsa Emília Meza, enfermeira do departamento. De acordo com ela, o número real deve ser muito maior.
“Às vezes, a mãe não vai nem para a unidade (de saúde) ou vai direto para uma clínica particular. Mas (o número de casos) parece estar próximo (ao registrado no mesmo período do passado)”, comenta.
Vítima
Lucas Gabriel, com 1 ano e 2 meses, está entre as vítimas deste ano. Infestado de pintinhas pelo corpo, foi infectado pelo irmão mais velho, Samuel Vinícius, 7 anos.
“Um pegou na semana passada e outro, nesta semana. Do mais novo foi muito forte. Deu no céu da boca, no nariz. Ele não dorme, não come. Está bem chatinho. Está tomando antialérgico e eu passo creme”, comenta a mãe Crisley Regiane Roratto, que é auxiliar de dentista.
A temperatura dele também subiu e, neste caso, a orientação é medicar com antitérmico. “A criança, normalmente, tem febre alta. Tem um mito de que não pode dar (antitérmico), mas pode e deve”, diz a pediatra Maria Tereza Vera Mondelli. De acordo com ela, ao abolir de vez a tal “lenda urbana”, os pais conseguem melhorar o bem-estar da criança e evitar eventuais convulsões.
“Também recomendamos produtos à base de calamina para acalmar. O tratamento é sintomático”, explica a médica. Maria Tereza acrescenta que o período de incubação da catapora é de duas semanas. Já a transmissão ocorre dois dias antes do paciente apresentar as lesões na pele e só pára quando todas as vesículas se transformarem em crostas.
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Imunização
Embora ela não faça parte do calendário básico e seja aplicada apenas em clínicas, existe no mercado uma vacina capaz de imunizar a criança contra a catapora. Mas frente à grande quantidade de casos nesta época do ano, corre o risco de faltar em Bauru.
Numa clínica de vacinação consultada pela reportagem, a dose já deve ser reservada pelos pais interessados. O custo supera os R$ 100,00. “É dose única e imuniza eternamente”, explica a pediatra Maria Tereza Vera Mondelli.
Ao ser aplicada, ela também protege o paciente do Herpes Zoster, doença que afeta, inclusive, adultos. O problema pode manifestar-se em qualquer área do corpo (especialmente o tronco) e faz o trajeto dos nervos.
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O que é
A catapora, também chamada de varicela, é uma doença muito contagiosa, na maioria das vezes branda. Ocorre normalmente na infância, em geral, entre 2 e 8 anos de idade. É causada pelo vírus Herpesvirus varicellae e transmitida através do contato direto, pelas gotículas de saliva ou secreção das feridas, podendo ser também transmitida da mãe para o feto durante a gravidez.
Na criança, o primeiro sinal da doença costuma ser as lesões na pele, caracterizadas por pequenas bolhas vermelhas que se transformam rapidamente em pequenas bolhas claras ovais tipo “gota de orvalho”, cujo conteúdo se turva em torno de 24 horas. Elas se rompem dando lugar a crostas, mais conhecidas pelas crianças como “casquinhas”.
As lesões continuam a aparecer por 3 a 5 dias, a partir do tronco e espalham-se para a face e couro cabeludo. As crostas permanecem por 5 a 7 dias e depois caem deixando uma mancha branca que não é permanente. Sintomas como febre, mal-estar ou falta de apetite podem preceder as lesões na pele em cerca de 24 horas.
Não existe tratamento específico para a catapora. Apenas devem ser tomadas medidas para amenizar os sintomas e evitar complicações, como manter a pele limpa e as unhas aparadas para evitar as infecções secundárias de pele pelo traumatismo.
Quanto à sua proliferação nesta época do ano, pode ser explicada pela aglomeração de crianças em ambiente fechado, comenta a pediatra Maria Tereza Vera Mondelli. “Na primavera, venta mais e dissemina (o vírus)”, conclui.