Dikka - O bebê mais antigo do mundo foi achado na Etiópia: é um fóssil de 3,3 milhões de anos, de uma garotinha que morreu com 3 anos de idade e foi rapidamente soterrada. E agora volta do túmulo para dar valiosas informações sobre a história da humanidade. Ela não tem nome definitivo, mas já é chamada informalmente pelos cientistas de “bebê Lucy”, pois pertence à mesma espécie do fóssil de hominídeo mais célebre já desenterrado, que tem esse apelido.
Lucy, um esqueleto de mulher igualmente antigo achado na Etiópia em 1974, e o bebê Lucy - cerca de 150 mil anos mais velho que ela - são ambas Australopithecus afarensis, o autêntico homem-macaco, pelas suas características intermediárias entre humanos modernos e chimpanzés.
O novo fóssil foi desenterrado em Dikka, nordeste da Etiópia, por uma equipe internacional liderada pelo paleoantropólogo etíope Zeresenay Alemseged, do Instituto Max Planck de Leipzig, Alemanha. O achado é descrito hoje na revista científica “Nature”. A menina de Dikka foi achada aos pedaços a partir de 2000 e lentamente montada. Parte da tarefa consistiu em remover, grão por grão, os sedimentos que a preservaram.
O fóssil de criança mais antigo encontrado até agora, conhecido como bebê de Taung, foi achado na África do Sul por Raymond Dart, em 1925. Também tinha provavelmente três anos e pertencia a outra espécie de australopiteco (A. africanus). Foi o primeiro homem-macaco descrito. No entanto, do bebê de Taung se conhece apenas o crânio, enquanto o bebê Lucy tem boa parte do esqueleto inteiro. “Por estar tão completa, pelo estado de preservação e pela idade geológica, a menina de Dikka se sobressai como uma das maiores descobertas da história da paleoantropologia”, diz Alemseged, sem modéstia.