Geral

Expectativa de vida em Bauru cai dois anos com violência

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O bauruense poderia ganhar mais dois anos de expectativa de vida, não fossem os casos de morte violenta registrados no município. Eles roubam dos moradores da cidade 2,17 anos. Os dados de um estudo da Fundação Seade mostram ainda que só os homicídios diminuem em quase meio ano o tempo de vida de todos os cidadãos que vivem aqui.

Tomando como base uma sociedade perfeita, a expectativa de vida em Bauru seria de 72,29 anos. Distante de realidades utópicas e permeada por ocorrências como acidentes de trânsito, suicídios e homicídios (mortes não-naturais), o dia-a-dia do bauruense proporciona esperança de que a vida chegue, apenas, aos 70,12 anos.

A quantidade de anos é satisfatória frente à realidade do Estado, onde a violência leva três anos de vida dos paulistas. No contexto geral, quem mora no Estado de São Paulo morre com 68,9 anos.

A realidade local também é melhor que em outras regiões como Marília, Franca e Ribeirão Preto. No entanto, morre-se mais cedo em Bauru do que em cidades como Araçatuba, São José do Rio Preto e Presidente Prudente. Pelo menos é o que dizem os dados da Fundação Seade, baseados em números de 2004. Os cálculos, porém, não afligem uma ajudante de 31 anos, que preferiu ter o nome preservado.

Na rua em que ela trabalha, um homem foi assassinado há pouco mais de dois meses. Ainda assim, ela tem certeza que vai viver muito, como reza a tradição familiar. A discussão sobre a longevidade é comum em qualquer grupo de pessoas, mesmo entre aquelas que convivem mais proximamente com a violência, comenta Clodoaldo Meneguello Cardoso.

Professor de filosofia e ética da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador do Núcleo pela Tolerância, na opinião dele, dados estatísticos não significam nada no cotidiano das pessoas. Ele defende, no entanto, que o problema das mortes violentas seja atacado.

“Temos de discutir quantos estão morrendo (em circunstâncias agressivas) e o que podemos fazer para evitar isso”, conclui.

O que é

A expectativa de vida pode ser traduzida como o número de anos que se espera que um recém-nascido viva, quando exposto às taxas de mortalidade observadas na população, no momento do seu nascimento, informa a assessoria de imprensa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o órgão, essa informação é utilizada para o cálculo do fator previdenciário da aposentadoria das pessoas que estão sob o regime geral da Previdência Social. Ainda segundo informações do instituto, a expectativa de vida em território paulista é de 73,4 anos. No País, cai para 71,7 anos.

Os dados foram solicitados ao IBGE porque os pesquisadores da Fundação Seade participaram ontem do 15º Encontro Nacional de Estudos Populacionais, realizado em Caxambu, Minas Gerais.

Comentários

Comentários