Bancoc - Enquanto boa parte do mundo continua intrigada com a boa receptividade popular dada ao golpe que derrubou o governo da Tailândia, ontem a junta que tomou o poder consolidou a ditadura militar no país: restringiu as liberdades políticas, assumiu atribuições legislativas e prendeu quatro membros do governo deposto. A Casa Branca subiu o tom de protesto, anunciando que irá rever a ajuda de US$ 14 milhões ao país prevista para este ano.
Em anúncios transmitidos por todos os canais de TV,o comando militar informou que estão proibidos os encontros políticos e que assumiria as atribuições do Parlamento, dissolvido quando os golpistas revogaram a Constituição.
A junta militar também impôs restrições sobre a mídia e as comunicações, posicionando soldados nas estações de TV e rádio e ordenando que o Ministério da Informação suspenda a emissão de notícias que possam ser “prejudiciais” ao país. Segundo a imprensa local, até mensagens de celulares (torpedos) com conteúdo político seriam censuradas.
Um porta-voz do grupo golpista, que anteontem divulgou seu nome oficial - Conselho para a Reforma Democrática sob a Monarquia Constitucional - também confirmou que quatro membros do gabinete deposto haviam sido detidos. As medidas tornaram mais intensas as críticas de países ocidentais e de organizações de direitos humanos ao golpe de terça-feira.
Os EUA decidiram rever a ajuda econômica em protesto contra o que o subsecretário de Estado Chris Hill chamou de “um acontecimento muito triste para a democracia” da Tailândia. A maior parte da assistência americana a países estrangeiros se dá sob uma legislação que proíbe a concessão no caso de países em que “o chefe de governo eleito é deposto por um golpe militar ou decreto”. Dos US$ 14 milhões previstos na ajuda para este ano, US$ 4 milhões seriam destinados a treinamento militar e compra de armas americanas.