Cultura

Piadas previsíveis fazem ‘O Pequenino’

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

O que poderia haver de bom ou interessante em “O Pequenino”, que também estréia hoje em Bauru? O tempo do filme, talvez, que é somente uma hora e meia? Dos mesmos irmãos Wayans de “As Branquelas”, não é de se espantar que o longa seja outra comédia cheia de transformações físicas com maquiagem e efeitos digitais.

Na trama de risadas previsíveis, os criminosos Percy P (Tracy Morgan) e Calvin (Marlon Wayans digitalmente encolhido ou com o rosto mal encaixado no corpo de um anão) têm um plano para enriquecer: roubar um grande diamante. Para iludir a polícia, eles escondem a jóia na bolsa de Vanessa (Kerry Washington) e a seguem de taxi até sua casa.

Para invadir a residência sem causar alarde, Calvin disfarça-se como um bebê abandonado e é “encontrado” por Darryl (Shawn Wayans), marido de Vanessa e louco para ter um filho. Ele “adota” o anão – estupidamente sem perceber que ele não é uma criança - para provar à esposa que tem o necessário para ser um bom pai.

Salvam-se algumas das piadas de frases rápidas e curtas, marca registrada dos Wayans desde “Todo Mundo em Pânico” – os dois primeiros são deles. Outra marca dos irmãos que permeia o filme são as situações idiotas e escatológicas: golpes no saco, racismo, flatulência e cocô em fraldas tentam tirar risadas, mas não fogem do óbvio timing ruim.

A direção de Keenen Ivory Wayans é infantil e sem linguagem, com cortes abruptos e erros em passagens de planos que matam as tentativas de humor. Os efeitos especiais parecem amadores: o rosto de Marlon, inserido digitalmente, parece sempre dançar sobre a cabeça de um anão – e isso é mais constrangedor do que engraçado.

Em resumo, o que mata mesmo “O Pequenino” é a tentativa de entreter com o público com o absurdo. Se os personagens acreditam que o anão é mesmo um bebê, quem paga o ingresso também tem que crer na situação?

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