São Paulo - O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, afirmou ontem que os escândalos envolvendo o PT e o governo federal causam tantas baixas e demissões que seria “mais prático” afastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição pelo PT.
O recente episódio da tentativa de compra de um dossiê contra tucanos já derrubou figuras importantes das campanhas petistas em nível nacional (Ricardo Berzoini) e no Estado de São Paulo (Hamilton Lacerda), e da Presidência, como Freud Godoy, ex-assessor especial do gabinete de Lula.
“Olha, já afastou o diretor do Banco do Brasil (Expedito Veloso), afastou o diretor do Banco do Estado de Santa Catarina (Jorge Lorenzetti), já afastou o coordenador da campanha (de Lula, Ricardo Berzoini). Essas coisas se repetem: cinco ministros afastados, indiciados, denunciados, a direção do PT envolvida em escândalos, eu acho que tem que afastar o Lula, é mais prático”, afirmou o tucano após assinar um termo de compromisso para a criança e o adolescente na Fundação Abrinq.
Questionado se estava sugerindo um processo de impeachment, Alckmin recuou. O tucano defendeu que o presidente Lula deve ser afastado pelo voto, pela vontade da população. “Impeachment já teve oportunidade no ano passado e não foi feito.” Nesse raciocínio, Alckmin disse que está preparado para fazer o País crescer, tornar o governo mais eficiente e “moralizar a vida pública”.
Serra
O tucano José Serra não isentou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva da responsabilidade pelo dossiê que visava envolvê-lo com a máfia dos sanguessugas. O tom, contudo, foi cauteloso. Ontem, em entrevista à rádio BandNews, Serra foi questionado sobre a eventual participação do presidente na estratégia de minar a sua candidatura a governador.
“Não tem ninguém que possa dizer “eu não tenho nada a ver com essa história’”, disse Serra. “Todo o PT está envolvido nisso. Você não pode falar que é um setor apenas que tem culpa e o resto não. Há uma questão ampla, geral, de gente que acha que pode atropelar o processo democrático.
O envolvimento direto deste ou daquele é uma questão que deve ser apurada, mas é uma responsabilidade acima de tudo de partido.” A precaução foi mantida quando Serra foi inquirido sobre a origem dos cerca de R$ 1,7 milhão que seriam usados para a compra do dossiê contra ele. Ele se limitou a dizer que “isso [dinheiro] direta ou indiretamente são recursos públicos”. Serra também falou sobre o adversário petista Aloizio Mercadante.
O tucano disse achar difícil que Mercadante não soubesse do envolvimento de Hamilton Lacerda no esquema que engendrou o dossiê. Até se desligar da campanha, Lacerda era coordenador de comunicação da equipe de Mercadante.
“Esse é um fato político de extrema relevância. O chefe da comunicação de uma campanha para o governo do Estado comprometido com esquema de baixaria”, disse Serra. “O PT deu um tiro no pé. Olhou para o pé e atirou”.