O Brasil é o segundo maior consumidor de café do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. Mas o Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC) quer aumentar o consumo não apenas no País, como no mundo todo. Para isso, a delegação brasileira vai apresentar na reunião da Organização Internacional do Café (OIC) - que começa hoje em Londres, Inglaterra, e prossegue até domingo próximo - uma proposta que visa estimular o consumo do grão junto aos cerca de 2 bilhões de jovens (sem contar a China) espalhados pelo mundo.
A informação é de Maurício Lima Verde, vice-presidente da Comissão Nacional do Café (CNC) e que todos os anos representa o Brasil nas reuniões da OIC. Segundo ele, além de focar o público jovem, as campanhas para estimular o consumo de café - cultura existente no Brasil há mais de 240 anos - também serão fundamentadas nos benefícios proporcionados à saúde.
“Existe uma série de estudos que mostram que o café faz bem à saúde. Os Estados Unidos concluíram este ano uma pesquisa enorme, patrocinada pela American Coffee Association (Associação Americana de Café), que traça detalhadamente os benefícios gerados às pessoas pela ingestão do café. Lá (nos EUA), inclusive, está sendo feita uma forte campanha junto à classe médica para divulgar esses benefícios. O objetivo é derrubar o mito de que beber muito café faz mal. O chá, por exemplo, tem mais cafeína do que o café”, diz Lima Verde.
Verba
Segundo ele, a própria OIC destina uma verba anual em torno de US$ 1 milhão aos Estados Unidos para investimento em pesquisas como essa. Por isso, a idéia do CDPC é também utilizar os resultados dessas pesquisas que, nos últimos três anos, têm revelado descobertas surpreendentes sobre os benefícios do consumo de café. Entre os beneficiados, estão pessoas com problemas cardiovasculares.
De acordo com Lima Verde, o tema “promoção” do café tem sido muito discutido na OIC nos últimos anos. Como o Brasil vem trabalhando há muito tempo na área de promoção do consumo, decidiu apresentar essa proposta na reunião de Londres para utilizar uma pequena parte dos fundos disponíveis e criar a base de um programa de promoção muito maior e a curto prazo.
De acordo com o texto da proposta brasileira, a OIC dispõe de dois fundos formados a partir de contribuições dos países produtores - e o Brasil é o maior produtor mundial de café - que somam mais de US$ 1 milhão. Lima Verde destaca que os estímulos criados junto à população a partir de campanhas visando o aumento do consumo do grão nos últimos anos vêm dando resultados. No momento, a quantidade de produção, em torno de 110 milhões de sacas, está equilibrada com a demanda mundial, pois neste ano houve queda de produção.
“No Brasil, o consumo anual é de aproximadamente 15 milhões de sacas, que é baixo. O estudo que vamos apresentar em Londres mostra projeções de que, nos próximos dez anos, o consumo mundial pode ser acrescido com até 30 milhões de sacas de café. Alcançar um meio termo ou o total dessa projeção dependerá das taxas de crescimento anuais, que podem ser muito afetadas e influenciadas pela promoção do consumo”, observa Lima Verde.
O texto da proposta brasileira indica ainda que o foco em consumidores jovens justifica-se não apenas pelos números - 2 bilhões de pessoas -, mas também porque a globalização e a tecnologia da informação estão criando uma geração com comportamento e gostos semelhantes.
“A proposta aponta que os jovens de hoje são mais facilmente alcançados por estratégias e mensagens semelhantes, difundidas através de mídias modernas e alta tecnologia, como a Internet, celulares e podcasts”, aponta Lima Verde.