A falta de uma boa conversa entre pais e filhos é apontado pela psicóloga Hermínia Maria Lopes de Souza como uma das razões para a falta de limites para as crianças. Segundo ela, a pressa fez com que as pessoas perdessem a noção de valor que tem o diálogo dentre de casa.
“Antigamente, todos se reuniam na sala. Era um momento de confraternização. Hoje, cada um tem sua TV. Nas refeições, cada um se alimenta em um canto da casa ou em horários diferentes. O convívio familiar se perdeu”, lembra.
A partir do momento que o ambiente familiar não tem normas e regras a serem seguidas, isso afeta diretamente o adolescente. Por esse motivo, estabelecer limites é fundamental, na opinião dela. “Muitas vezes, os pais deixam (a criança) livre porque acha que é a melhor forma de educar. É um risco. Não dar tanta liberdade é uma forma de estabelecer uma ordem de disciplina.”
E isso pode ser importante quando o filho for adulto. “Se ele estiver acostumado a fazer tudo o que quer, quando for adulto, como ele vai transpor os obstáculos naturais na vida de qualquer pessoa? Ele precisa entender que existem limites”, afirma Hermínia.
Dar liberdade demais não é bom, mas o inverso também não funciona, segundo ela. Querer proteger o filho de tudo e todos pode acabar impedindo que ele aprenda a lidar com situações difíceis no futuro. Isso pode resultar em um adulto inseguro, com dificuldade de se relacionar afetivamente. “Ele vai sempre buscar uma pessoa mais forte e isso acaba criando uma relação de dependência”, justifica. Segundo ela, “o limite é útil para construir a individualidade e a identidade de uma pessoa”.