Política

Para Lembo, dossiê vai ajudar Alckmin

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O governador do Estado de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), apostou ontem o que todo tucano vem fazendo nos últimos dias, a partir das indicações de participação de petistas na compra de dossiê junto aos empresários da família Vedoin, que participaram da denúncia do esquema de sanguessugas no País, com a compra de ambulâncias superfaturadas vinculadas à entrega de recursos a dezenas de deputados federais. “Aposto que vou acertar. Vai dar Geraldo”, disse Lembo aos jornalistas, ao chegar ao aeroporto de Bauru, ontem.

Ele acredita que o episódio de compra de dossiês vai ser um tiro no pé dos petistas. Cláudio Lembo argumentou que a sociedade vai refletir sobre o episódio, que será um dos elementos para levar Geraldo Alckmin a eventual segundo turno na disputa à presidência com Lula. Leia os principais pontos da entrevista:

Imprensa – Como o senhor avalia o que está acontecendo no cenário nacional, como o episódio das sanguessugas? Cláudio Lembo – Constrangido. É desagradável que se faça política de forma tão baixa, tão pouco elegante, sem ética, sem responsabilidade. Política tem que ser feita sempre com uma forma pedagógica de se educar a si próprio e a todos nós e, no entanto, só recebemos maus exemplos de Brasília. É muito grave.

Jornal da Cidade – Como o senhor está operando o fluxo de caixa do governo, daqui até o final do ano, para obras com despesas autorizadas, como a Nações Norte em Bauru? Lembo – Temos problema, um problema de caixa. A arrecadação não foi o que nós esperávamos. O orçamento infelizmente não pôde ser executado nos seus valores originais e temos algumas situações muito difíceis. Até o final do ano, vamos ter muitas dificuldades.

Imprensa – O senhor já decidiu mesmo, como disse antes à rádio Auriverde, que deixa a vida pública após este mandato? Lembo – Eu diria a você que vou ter nostalgia. Eu tive uma coisa, confesso que fico muito emocionado, que foi a solidariedade do povo. Em todo lugar que vou, há uma simpatia, o respeito, percebe-se que se trabalhou em busca do bem público. Portanto, a nostalgia vai vir. Mas eu vou para minha casa e vou dar minhas aulinhas de direito constitucional. JC – Qual é a situação, neste momento, da prometida ajuda do Governo Federal ao Estado na área de segurança? Lembo – Nada, nada. Vieram os primeiros R$ 50 milhões e depois ficamos nisso, e eu até compreendo, porque o Orçamento Federal está muito ruim. Eu só lamento que as verbas foram usadas em um momento muito difícil de São Paulo, porém São Paulo está se recuperando sozinho, como sempre. Nós, paulistas, os brasileiros de São Paulo, somos muito fortes. Olha, ontem, a Organização dos Estados Americanos mandou uma delegação em diligência para inspecionar nossas penitenciárias e Araraquara já estava vazia. Você veja que coisa incrível, nós conseguimos, em tão pouco tempo, começar a restauração de Araraquara, Mirandópolis e outras. Portanto, São Paulo está sozinho e avançando. Esta organização também foi à Febem de Tatuapé, que está sendo totalmente desativada, e recebemos um elogio por isso do representante da OEA. São Paulo vai sozinho, sem ajuda federal.

JC – Qual a justificativa da União por não enviar os recursos prometidos para a Segurança? Lembo – Eu acho que o Governo Federal deve estar aplicando na Polícia Federal que está precisando.

Imprensa – Como o senhor avalia as pesquisas que indicam vitória de Lula no primeiro turno e de Serra em São Paulo? Lembo – Eu aposto com você que nós vamos acertar. Vai ter Geraldo (com segundo turno) e Serra.

Imprensa – O dossiê altera o resultado da eleição? Quem ganha, quem perde? Lembo – Vai alterar. Vai alterar porque vai haver uma reflexão da sociedade e, certamente, a sociedade deixa de votar em um candidato que poderia ser vitorioso. Pra mim, ganha Geraldo.

JC – Não fica incógnita? De um lado perguntam sobre o que o conteúdo do dossiê pode revelar e de outro sobre eventual armação? Lembo – Acho que tem os dois pontos. Primeiro, eu gostaria muito de saber a origem do dinheiro. Eu nunca vi R$ 1,370 milhão ao vivo e em cores. Portanto, não entendo como pode aparecer tanto dinheiro com este partido hoje no governo federal. E segundo ponto, eu gostaria de saber o conteúdo também porque me interessa saber quem é o corrupto e quem é o corruptor. Não é o uso em si. Nós temos que esperar a reflexão da sociedade e ela vai ter, é inevitável.

JC- Passado o período de aflição na segurança pública, que avaliação o senhor tira da gestão do caso? Lembo – Olha, eu diria a você que nós demonstramos e o governo mostrou que tinha uma estrutura policial excepcional. O governo anterior, de Geraldo Alckmin, tinha estruturado uma Polícia Militar e Civil da melhor qualidade e por isso respondeu aos ataques. Na área de segurança pública, o governador foi notável. Nós tivemos problemas na área das penitenciárias. Ai eu diria a você que nós temos que aplicar com rigor a lei das execuções penais - com rigor, respeitando os direitos humanos, mas mantendo sobretudo a disciplina no sistema. Eu tenho que um secretário como o Ferreira Pinto é um exemplo de como deve ser o sistema penitenciário. Vocês não me perguntam mais do Saulo (Saulo de Castro, secretário de Segurança).

JC – Como está o Saulo, houve divergência dele com o secretário da Administração Penitenciária? Lembo – O Saulo está bem, muito bem. Houve, sim, divergência de gestão e isso atrapalhou, mas está superado.

JC – Que medidas o senhor alteraria na gestão do Estado se tivesse quatro anos para governar? Lembo – Se eu tivesse quatro anos, teria três grandes prioridades, sendo na área de inteligência da segurança pública, nas penitenciárias, ampliando o sistema e dando sempre muita segurança para a sociedade e para os próprios presos. Depois, saúde, com ênfase à rede de serviços. O restante eu prosseguiria, com ênfase a parcerias com a iniciativa privada, como na ampliação de estradas, por exemplo, trataria da revisão de alguns pedágios no Estado de São Paulo, não pelo pedágio, mas pelo valor cobrado, para manter sempre este grande nível das estradas. E algo que eu faria com prioridade é o trem metropolitano de São Paulo, que é importante esse setor.

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