Botucatu – Mestre de cerimônias fúnebres. A profissão curiosa e promissora, mais encontrada nos Estados Unidos, é um dos diferenciais do recém-inaugurado Complexo Funerário Orlando Panhozzi, em Botucatu (a 100 quilômetros de Bauru).
No complexo, o cerimonial fúnebre foi batizado de “celebração da vida”, seguindo a filosofia da empresa, que é de cultuar a vida. A tarefa de mestre de cerimônias fúnebres do grupo é exercida por Vital Walter de Oliveira Filho, responsável também pela gerência do empreendimento. “Minha missão é prestar as últimas homenagens ao morto e minimizar o sofrimento da família”, explica.
Para exercer a função, o gerente usa terno e sapato social todos os dias. “Sou bilingüe, graduado pelo Instituto Hagae, no Hawai, advogado, desenhista, mecânico, tradutor intérprete, professor de inglês e artista plástico premiado no Mapa Cultural Paulista e no Exterior”, aponta Oliveira Filho.
Para ele, o mestre de cerimônias fúnebres tem de ser uma pessoa culta, politizada e de muitas sensibilidade. “Esse profissional tem que conhecer várias culturas para poder atender melhor a família do morto, conhecer as tradições e respeitar a individualidade de cada um”, analisa.
Por conta disso, Oliveira Filho ressalta que a profissão está em expansão e deve ganhar força no mercado interno. “No Brasil há poucos, mas a médio prazo haverá uma demanda no mercado”, avalia.
Humanização
Além da presença de um mestre de cerimônia, a humanização do funeral é acompanhada pelo projeto arquitetônico do complexo. No local, a capela ecumênica foi concebida para representar a vida. Seguindo essa idéia, o teto começa baixo e termina com um pé direito alto para simbolizar a elevação da alma.
As poltronas em tons de azul brilhante e as paredes de blindex completam o cenário, que no momento da cerimônia terá o caixão ao meio, suspenso na saída de um elevador.
O cerimonial inicia-se pouco antes do enterro. O corpo sai da sala de vigília pela mãos dos agentes funerários e segue até a entrada da capela, onde o caixão é colocado numa espécie de elevador, que o deixa suspenso.
O mestre de cerimônia entra em cena para prestar a última homenagem ao morto. “Procuro descobrir as qualidades do falecido e faço um texto de despedida. Dependendo da família, leio uma poesia ou poema que tenha algum significado naquele contexto”, explica Vital Walter de Oliveira Filho.
A celebração da vida é uma cerimônia que valoriza a vida e conforta a família, frisa o mestre de cerimônia. “A família retorna dias depois para dizer que a cerimônia mudou o conceito de morte que eles tinham, tal é o impacto”, afirma.
A oração religiosa é o Pai-nosso cantado. “Eu convido a todos as participar. Antes de escolher essa oração, fiz uma pesquisa em todas as religiões para não pender para uma específica. Nossa intenção não é fazer proselitismo religioso. Coletei partes comuns a todas religiões”, explica.
O cerimonial, que é oferecido para todos os familiares de mortos atendidos pelo grupo, não tem custo adicional. Antes de terminar a cerimônia fúnebre, uma chuva de pétalas de rosas cai do alto, cobrindo o caixão, que sai para o cemitério.