Reconhecido internacionalmente como sendo o principal responsável pelos casos de diarréia em crianças com até 5 anos de idade, o rotavírus tem sua ação ampliada em épocas de baixas temperaturas. Conseqüentemente, mais crianças procuram unidades de saúde com diarréia intensa nesta época. Se não for tratada a tempo, a diarréia provocada pelo rotavírus pode levar à desidratação e à morte.
Longe de ser um problema erradicado - estima-se que cerca de 1 milhão de crianças no mundo são infectadas pelo rotavírus por ano -, há cinco meses o Ministério da Saúde incluiu a vacina contra o rotavírus no Calendário Nacional de Vacinação para tentar minimizar o problema e diminuir o número de mortes de crianças.
Em 2000, segundo levantamento do ministério, foram 1.312 mortes. No ano passado, 1.021. Com a vacina, que tem 85% de eficácia comprovada, espera-se uma redução de até 850 mortes por ano. O governo também quer reduzir o número de internações por conta do vírus. O mesmo levantamento mostra que cerca de 125 mil crianças são internadas por ano por causa de diarréia provocada pelo rotavírus.
Com a introdução da vacina, o objetivo é ter uma queda de até 35% nas internações. Para iniciar a campanha, o governo adquiriu 8 milhões de doses do produto. Quatro meses depois, levantamento do órgão aponta que até maio, pelo menos 372.802 crianças entre dois e quatro meses foram vacinadas no País.
Só no Estado de São Paulo, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, 150 mil bebês foram beneficiados com a primeira dose da vacina - o que corresponde a 95% do público da campanha.
“A vacina ainda é nova no calendário, mas já tivemos quase 100% de adesão. Com certeza é um avanço e ela deve evitar muitas internações e até mortes de crianças em todo o País’’, disse Clélia Aranda, superintendente de imunização da pasta.
A transmissão do rotavírus acontece por via fecal-oral, por meio do contato entre as pessoas, e também por meio de água, alimentos e utensílios contaminados. Com o tempo frio, as crianças tendem a ficar mais aglomeradas - inclusive em creches e escolas - facilitando a transmissão do vírus.
Uma vez em contato com o organismo, o vírus invade a mucosa intestinal e provoca lesões celulares. Dessa forma, o intestino tenta “expulsar’’ o agente agressor, aumentando as contrações e produzindo mais líquidos - o que vai causar a diarréia intensa.
“A diarréia é a reação do organismo contra o rotavírus. Ela contribui com a melhora do paciente. É por isso que o tratamento não inclui encerrar a diarréia e sim tratar os sintomas (febre, dor e mal-estar) e manter a hidratação da criança’’, explica o infectologista Marcelo de Carvalho Ramos, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
“Geralmente os sintomas são semelhantes aos de outras viroses. Mas, normalmente, os casos se resolvem sozinhos entre sete e dez dias, desde que a hidratação seja feita corretamente’’, diz Evandro Roberto Baldacci, infectologista e pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas.