Política

Em quatro anos, número de deputados paulistas milionários salta de 14 para 22

Por Alceu Luís Castilho | Correspondente do JC em Brasília
| Tempo de leitura: 4 min

Um terço dos deputados federais paulistas já pode ostentar literalmente o título de milionário. Entre 66 dos 70 parlamentares que apresentaram este ano declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nada menos que 22 (33,3%) possuem mais de R$ 1 milhão em bens. O percentual é bem superior ao que eles ostentavam há quatro anos, quando somente 14, num universo de 62 (22,5%), tinham já ultrapassado essa cifra.

A Câmara dá, no mínimo, sorte aos deputados. Na faixa com bens acima de R$ 500 mil, em 2006, estão hoje 45 parlamentares, ou 68,2% do universo pesquisado – mais de dois terços do total. Em 2002, apenas 38,7% desses mesmos deputados tinham chegado a essa faixa de renda.

Os dados do TSE constam em dois sites: o do tribunal e o www.politicos dobrasil.com.br, coordenado pelo jornalista Fernando Rodrigues. A reportagem fez a comparação dos dados entre 2002 e 2006 e buscou relações entre a renda dos deputados e diversos fatores, como: sua atuação parlamentar e a participação ou não em escândalos recentes, como o do mensalão e o dos sanguessugas.

Os resultados apontam uma fartura econômica, obtida por parlamentares de todas as tendências políticas. Em termos partidários, um dos principais fenômenos foi a entrada, este ano, de tucanos (cinco) e petistas (dois) no seleto grupo dos milionários – em 2002, nenhum deles alcançava essa faixa de renda. Os outros partidos que têm deputados com bens acima de R$ 1 milhão são: PTB (cinco), PMDB e PFL (três cada), PP, PSB, PDT e PV (um cada).

No entanto, entre os milionários há, por sua vez, uma diferença enorme entre os bens declarados. Somando os nove deputados com renda na faixa de R$ 1 milhão, os sete na faixa de R$ 2 milhões, um na faixa de R$ 3 milhões e um na faixa de R$ 4 milhões, ou seja, 18 deputados, o total de R$ 34,4 milhões é ainda menor que o declarado pelo líder da lista, o empresário e pecuarista Vadão Gomes (PP), com R$ 35,78 milhões em bens.

No outro lado da lista, entre os 21 deputados que declararam bens abaixo de R$ 500 mil, há uma predominância dos partidos com origem de esquerda: PT (nove), PC do B, PSB, PSOL, PV, PPS (um cada). O PSDB tem dois deputados nessa faixa. Partidos com origem na direita possuem cinco deputados entre os “mais pobres” de São Paulo: dois do Prona, um do PL, um do PP e um do PTB.

Mulheres

Não há nenhuma mulher entre os milionários, em um universo de sete deputadas. A primeira a aparecer na lista, em 34.º lugar, é a petista Mariângela Duarte, com R$ 650 mil em bens. À exceção da tucana Zulaiê Cobra, com R$ 518 mil, todas as demais aparecem na faixa mais “pobre”: as petistas Ângela Guadagnin, Telma de Souza e Iara Bernardi, a ex-petista Luiza Erundina (PSB) e a petebista Edna Macedo.

A faixa etária pode ser um dos fatores na obtenção de bens. Entre os 22 milionários, a média de idade é de 60,6 anos. No bloco seguinte, com 23 parlamentares que possuem mais de R$ 500 mil e menos de R$ 1 milhão, a média baixa para 56,8. Finalmente, no bloco de 21 parlamentares com renda inferior a R$ 500 mil, a média passa para 53,8. As maiores exceções são o deputado Robson Tuma (PFL), de 38 anos, com mais de R$ 3,5 milhões, e o médico Enéas Carneiro (Prona), de 68 anos, que declarou possuir R$ 64.662,00.

A média de votos entre os 22 milionários, 125.687, foi bem menor que a média entre os 21 “mais pobres”. Estes tiveram uma média de 201.484. Sem o “fator Enéas”, que teve mais de 1,5 milhão de votos, essa média ainda é superior à dos mais ricos, com 132.876. O bloco intermediário, em termos de renda (entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão), teve uma média de 121.904 votos.

Reeleição

Quatro deputados não são candidatos a nenhum cargo eletivo: Luiz Carlos Santos (PFL), Xico Graziano (PSDB), Wanderval Santos (PL) e Edna Macedo (PTB). Os dois últimos estão entre os envolvidos no caso das ambulâncias. A deputada Zulaiê Cobra (PSDB) é candidata à suplência do Senado. Corauci Sobrinho (PFL) tenta uma vaga na Assembléia. João Batista (PP), um dos eleitos na onda dos votos de Enéas em 2002, e outro acusado pela CPI dos Sanguessugas busca a eleição em seu próprio Estado, o Rio de Janeiro.

Todos os demais são candidatos à reeleição. Valdemar Costa Neto (PL), que renunciou ao mandato no ano passado para não ser cassado, em meio às denúncias sobre o mensalão, tenta voltar à Câmara. Ele declarou R$ 3,02 milhões em 2006, quase o mesmo que os R$ 2,99 milhões declarados em 2002.

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