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Caracas pede retratação por detenção de ministro

Folhapress
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Caracas - O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolas Maduro, ficou detido por uma hora e meia no aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, na noite do último sábado, enquanto tentava embarcar de volta para casa, após participar da 61.ª Assembléia Geral da ONU.

O Departamento de Estado dos EUA divulgou no mesmo dia um pedido de desculpas, referindo-se ao episódio como um “lamentável incidente”.

Maduro, no entanto, disse considerar a declaração insuficiente, afirmando que a Venezuela deverá solicitar uma retratação legal por meio das Nações Unidas para o que ele denomina de “flagrante violação das leis internacionais e de sua imunidade diplomática”.

Segundo funcionários do aeroporto, o ministro chegou ao local com sua mulher e filhos 30 minutos antes do embarque. A viagem, paga em dinheiro, teria escala em Miami antes de seguir para Caracas. Maduro passou pelo detector de metais uma vez e, ao lhe pedirem que se submetesse a uma segunda revista, se recusou.

Ainda de acordo como os funcionários, ele informou à segurança do aeroporto que era diplomata apenas depois que seus documentos haviam sido confiscados. Eles dizem que, após o mal-entendido, ter sido resolvido, Maduro teve permissão para embarcar, mas preferiu permanecer em Nova York - onde convocou uma entrevista coletiva na missão diplomática venezuelana para as Nações Unidas.

Maduro disse que, quando um funcionário do aeroporto o ordenou que fosse para outra sala para uma revista sem roupa, ele se recusou. Então, o oficial o empurrou e o insultou com gritos, ameaçando algemá-lo. “É um governo racista”, disse. “Se é assim que as autoridades americanas tratam um ministro das Relações Exteriores, o que não fariam a um homem árabe usando turbante?”

O porta-voz do Departamento de Segurança Interna americano, Russ Knocke, negou que Maduro tenha sido maltratado: “Não há nenhuma evidência de anormalidade no processo de revista.”

O confronto retórico entre os EUA e a Venezuela, que vem numa escalada desde a tentativa de golpe contra Hugo Chávez, em 2002, se acirrou na semana passada, quando Chávez, em discurso na ONU, chamou George W. Bush de “diabo”.

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