Beirute - Milhares de pessoas participaram ontem de uma manifestação em Harissa, 27 quilômetros ao norte de Beirute, convocada por um antigo chefe de uma milícia cristã de extrema direita, numa resposta ao ato protagonizado na sexta-feira por Hassan Nasrallah, líder do grupo radical Hizbollah.
A manifestação, que sublinha as divisões sectárias que explodiram na guerra civil libanesa (1975-1990), se seguiu à missa anual que homenageia os “mártires” cristãos daquele conflito.
Os manifestantes foram liderados por Samir Geagea, que saiu da prisão no ano passado, depois de cumprir 11 anos por assassinatos na guerra civil, quando suas forças libanesas foram apoiadas por Israel. O Hizbollah tem o apoio do Irã e da Síria.
A maioria dos cristãos libaneses é do ramo maronita, e nem todos são partidários das Forças Libanesas de Geagea. Apesar de ligados à Igreja Católica, os maronitas têm hierarquia própria. Eles já foram majoritários no Líbano, mas hoje são o segundo grupo em população (o maior é formado pelos xiitas). Pela Constituição, o presidente do Líbano é obrigatoriamente maronita. Até a guerra civil, o cargo era o mais poderoso, mas hoje tem prestígio inferior ao de premiê, que é sempre muçulmano sunita.
Durante o ato, Geagea contestou a declaração de Nasrallah de que o braço armado do Hizbollah venceu Israel no conflito de 34 dias encerrado no início de agosto, que matou 1.200 libaneses, a maioria civis, e 160 israelenses. “Eu não sinto a vitória porque a maioria dos libaneses não a sente. Ao contrário, eles sentem que uma grande catástrofe se abateu sobre eles e torna seu futuro incerto”.
No ato de sexta-feira, Nasrallah afirmou que o conflito com Israel provou que só as milícias do Hizbollah podem garantir a defesa do Líbano. Disse também que o grupo não será desarmado à força e defendeu mudanças no governo libanês, liderado pelo premiê Fouad Siniora.
Resolução do Conselho de Segurança da ONU aprovada em 2005, pede o desarmamento do Hizbollah. A resolução sobre o cessar-fogo com Israel, aprovada no mês passado, insiste nesse ponto, mas não atribui à força internacional de paz que está sendo enviada ao país o papel de desarmar a milícia. Não foi feita estimativa de quantas pessoas foram ao ato. No do Hizbollah havia 800 mil.