São Paulo - Uma vitória em um clássico, aliada ao fato de o Campeonato Brasileiro estar na reta final, com o Palmeiras em situação pouco confortável na tabela, fez a diretoria do clube decidir não sair à caça de um novo treinador no mercado e dar chance para Marcelo Vilar trabalhar.
O cearense de 44 anos, que anteontem fez sua sexta partida como técnico interino da equipe, foi efetivado como o sucessor do demitido Tite. A partir de hoje, Vilar é oficialmente o comandante do time do Parque Antártica.
Apesar disso, não pode se considerar com estabilidade no emprego. A princípio, o técnico comandará o Palmeiras até o fim do Brasileiro, mas só se conseguir evitar os altos e baixos do time, tão comuns ao longo de 2006, e o rebaixamento.
O trabalho dele à frente do elenco será avaliado constantemente, praticamente rodada a rodada. Caso Vilar consiga manter o Palmeiras longe do perigo de ser rebaixado, sua permanência está assegurada. Porém uma seqüência ruim de jogos que leve o clube a freqüentar a zona do descenso encurtará a aposta no novo treinador, que antes de assumir o time interinamente pela segunda vez, vinha trabalhando como coordenador geral das categorias de base do clube.
Na noite da demissão de Tite, por exemplo, Vilar, apesar de já designado para dirigir o time principal no clássico com o São Paulo, estava observando o desempenho de dois atletas do Palmeiras emprestados ao Ituano, em Itu.
O novo comandante palmeirense havia sido colocado nessa função como forma de premiá-lo pela performance em sua primeira passagem interina - sob seu comando, o Palmeiras endureceu os dois confrontos com o então franco favorito São Paulo, pelas oitavas-de-final da Libertadores.
À época, a efetivação de Vilar também fora discutida pela diretoria do Palmeiras. Mas a opção naquela oportunidade foi pela busca externa de um substituto para Émerson Leão e, conseqüentemente, pela contratação de Tite.
O treinador não quis falar como novo titular da vaga. “Fui orientado a treinar o time amanhã (hoje)”, limitou-se a dizer. Antes de optar pela efetivação de Vilar, a cúpula palmeirense chegou a cogitar tentar contratar um técnico, mas concluiu que não valia à pena, já que o time tem apenas mais 12 partidas para realizar em 2006, todas pelo Nacional. Vilar tem o estilo semelhante ao de Tite. Gosta de trabalhar com “equipes multifuncionais”, com profissionais como psicólogos e nutricionistas.
Palaia
Antes mesmo de definir se Salvador Hugo Palaia ficaria ou não na diretoria de futebol do Palmeiras, a cúpula do clube já tinha definido quem seria o eventual sucessor. Ontem, no final da tarde, o vice-presidente José Cyrillo Júnior deixou o diretor administrativo Roberto Frizzo de sobreaviso. A reunião que decidiria o futuro de Palaia não havia terminado até o fechamendo desta edição.
A discussão sobre o destino de Palaia tornou-se imprescindível, pois o caso pode ser decisivo nas próximas eleições para presidente do clube, em janeiro. O cala-boca do diretor ao técnico Tite, que pediu demissão em seguida, deixou parte dos conselheiros inconformada.