Bagdá - O início oficial do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos, ontem, foi marcado por focos de violência por todo o Iraque, incluindo-se um ataque a uma delegacia de polícia e o descobrimento de aparentes vítimas de ataques sectaristas na Capital.
Um policial foi morto e seis ficaram feridos quando a delegacia de Musayyib, a cerca de 60 quilômetros ao sul de Bagdá, sofreu um pesado ataque, disse a polícia. Seis carros se dirigiram ao local por volta das 8h30 e abriram fogo com metralhadoras contra o posto policial. Em seguida, os rebeldes completaram o ataque lançando morteiros, relatou o capitão Salah al-Maamouri. Os rebeldes não-identificados fugiram antes que as tropas americanas chegassem.
Por volta do mesmo horário, a sudeste de Bagdá, a polícia encontrou os corpos de dois homens com cerca de 30 anos. Eles foram alvejados diversas vezes na cabeça e seus pés e mãos estavam amarrados, disse o policial Bilal Ali Majeed. Outros dois cadáveres foram encontrados a sudoeste da Capital na noite anterior. Sete outros corpos foram levados ao necrotério de Kut, dos quais cinco estavam decapitados, outro sem as pernas e todos apresentavam sinais de tortura.
Na vizinhança de Wahda, a leste da Capital, três outros policiais foram feridos por um ataque a bomba, instalada em um veículo civil. Cerca de 115 quilômetros a oeste de Bagdá, em Ramadi, um homem-bomba conduziu um carro em direção a uma blitz policial. Sete policiais morreram e outros sete sofreram ferimentos leves, de acordo com fontes oficiais.
No parlamento, Adnan al-Dulaimi, chefe da maior facção sunita, pediu o fim da violência. “Bagdá está vivendo uma crise”, disse. “Temos de concordar com o fim do derramamento de sangue entre sunitas e xiitas.”
Saddam Hussein
Na 11.ª sessão do julgamento de Saddam Hussein e seis de seus assessores, o juiz Mohammed Majid al Khalifa voltou a expulsar ontem o ex-ditador do tribunal após intensa discussão que pôde ser vista em versão censurada na televisão iraquiana. Na semana passada, o juiz havia expulsado Saddam por desacato.
A sessão faz parte do caso da Operação Anfal, nome da campanha de ataques maciços lançados pelo Exército iraquiano entre 1987 e 1988 contra a comunidade curda no norte do Iraque. Saddam e outros seis réus - entre eles seu primo Ali al Majid (“Ali Químico”) - podem ser condenados à pena de morte pelos crimes.
Ontem, Saddam interrompeu as testemunhas e o magistrado em diversas ocasiões, alegando que o tribunal “não respeita a lei”. Em resposta, o juiz disse ao ex-ditador que o tribunal “é legítimo” e “respeita as regras internacionais”. Ele disse ainda que devido ao fato de o tribunal ser legítimo, não é permitido interromper testemunhas (como Saddam tenta fazer), nem infringir as normas com qualquer pessoa na sala. Pouco tempo depois, o magistrado ordenou a expulsão do ex-ditador.