Londres - Foi com bom humor e emoção que o premiê britânico, Tony Blair, fez hoje seu último discurso em uma conferência trabalhista como líder do governo e do partido. “A verdade é que não se pode seguir para sempre. É duro partir, mas também é o correto, para o país e para o partido”, afirmou.
Ovacionado longamente na entrada e na saída, Blair lembrou seus feitos no poder e enumerou os desafios do futuro governo trabalhista, mas não anunciou a data de sua saída nem mencionou sua sucessão.
O premiê elogiou Gordon Brown, seu ministro das Finanças e provável sucessor, que discursou ontem apresentando um plano de governo. Mas não o endossou como futuro líder do partido e do país. Blair, no entanto, mostrou afinidade com Brown ao corroborar a tese, defendida pelo ministro, de que o futuro governo trabalhista será diferente.
“A escala do desafio agora é muito maior do que a que enfrentamos em 1997”, disse, citando o ano em que chegou ao cargo. Para o premiê, o tradicional isolacionismo do Reino Unido não tem lugar no atual cenário.
“Achávamos que poderíamos fechar nossas portas para os problemas do mundo, mas não mais. Não com a globalização, as mudanças climáticas, o terrorismo e a imigração.”
Ao falar da importância das questões internacionais na vida dos britânicos, Blair aproveitou para defender seu apoio ao governo de George W. Bush, alvo de críticas. “Às vezes, é difícil ser o principal aliado dos EUA. Mas nenhum problema internacional, do aquecimento global à Palestina, pode ser solucionado sem eles ou a Europa.”
O premiê também reafirmou a necessidade de manter tropas no Afeganistão e no Iraque e rebateu os que acusam sua política externa de incentivar ataques terroristas. “Não temos culpa desse terrorismo. Ele não resulta de nossa política, é um ataque ao nosso estilo de vida.”
Como seu último objetivo no cenário externo, Blair fixou o avanço no acordo de paz entre israelenses e palestinos. “Até deixar o cargo, irei me dedicar à paz no Oriente Médio. Posso não ser bem-sucedido, mas vou tentar, porque significa uma derrota para o terrorismo.”
Olhando à frente, Blair relativizou as pesquisas que indicam que os trabalhistas estão atrás dos conservadores nas intenções de voto da população. “Não há governos populares em terceiro mandato. Não ignorem as pesquisas, mas não sejam paralisados por elas.” Visivelmente emocionado, o premiê encerrou passando o bastão a seus sucessores: “Vocês são o futuro, agora. Façam o máximo dele.”