A exemplo de São Paulo e do Distrito Federal, os bancários de Bauru decidiram ontem à noite, em assembléia, interromper a greve iniciada nesta terça-feira, que teve a adesão de 26 das 46 agências do município.
Hoje, o Sindicato dos Bancários se reunirá novamente com a categoria para decidir, conforme as propostas da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), a possível retomada do movimento.
Os profissionais solicitam reajuste salarial de 10,96%, participação nos lucros e resultados de 5% do lucro linear, além de um salário bruto acrescido de R$ 1.500,00. Segundo o diretor do Sindicato em Bauru, Paulo Tonon, os trabalhadores estão decididos a manter a pauta de reivindicações.
“Não existe a possibilidade de abrirmos mão de nenhuma de nossas solicitações. Elas continuarão as mesmas. Amanhã (hoje), teremos uma negociação com a Fenaban. Se não formos atendidos, faremos nova paralisação”, comenta Tonon.
A Fenaban considera o movimento indevido e adianta que não atenderá a todas as reivindicações da categoria. Para o superintendente de comunicação da entidade, William Salasar, o acordo precisa ser viável para ambas as partes.
“É preciso construir uma proposta cuja equação econômica seja viável. Para atender tudo, é inviável. Ninguém faz uma negociação desse tipo”, diz Salasar.
Hoje, bancários e Fenaban fazem a sexta rodada de negociação na tentativa de fechar um acordo. Mas enquanto as duas instituições não chegam a um consenso, a população enfrenta dificuldades quando precisa solicitar os serviços bancários. Ontem, em Bauru, muita gente que procurou as agências deixou de ser atendida. Conforme o sindicato, pelo menos 800 dos 1.600 profissionais que atuam na cidade aderiram à greve.
A vendedora Leila Balsack teve dificuldades para sacar o benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ontem, por conta da paralisação. Ela diz que chegou à Caixa Econômica Federal (CEF) por volta das 7h30, mas só conseguiu receber o dinheiro quatro horas depois, em outra agência do banco, que fica na avenida Duque de Caxias. “Deixei de pegar meu filho na escola para conseguir sacar o dinheiro, sem falar que tive que gastar mais com passagem de ônibus. Perdi toda a manhã”, reclama a vendedora.
Ontem, durante a greve, apenas os serviços de auto-atendimento nos terminais e a devolução e compensação de cheques foram realizados. A paralisação envolveu cerca de 120 mil bancários em todo o País, conforme a Contraf-CUT. Entre os sindicatos que participaram do movimento estão os de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba.