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Como foi a inauguração

Texto: Luciano Dias Pires
| Tempo de leitura: 3 min

Os moradores de Bauru celebraram com muita festa, em 1 de agosto de 1896, a legalização da transferência da sede do município para cá e a mudança do nome de Espírito Santo da Fortaleza para Bauru, por intermédio de uma lei do então Senado Estadual (hoje Assembléia Legislativa) e promulgada pelo então presidente do Estado de São Paulo, Campos Sales.

Anos depois, no dia 27 de setembro de 1906, Bauru virou notícia nacional e internacional, pois o primeiro trecho da ferrovia que iria atingir duas fronteiras (Bolívia e Paraguai), colaborando para a decantada ligação dos oceanos Pacífico e Atlântico por estradas de ferro, iria ser inaugurado com pompas.

Quando esse evento completou 50 anos, o jornal bauruense Correio da Noroeste, cujo diretor era o saudoso jornalista José Fernandes, publicou uma edição especial na qual divulgou todos os fatos relacionados àquele evento, naturalmente se servindo de velhos jornais, os quais deram ampla cobertura ao importante acontecimento.

Na época, a partir de julho de 1905, Bauru já estava ligada a São Paulo pelos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana, cujo ramal até Botucatu permitia o acesso à Capital paulista. Foi por esta ferrovia que na manhã daquele 27 de setembro de 1906 chegava à nossa cidade um trem especial conduzindo grande número de autoridades, não só brasileiras como de outros países da América do Sul.

A comitiva, liderada pelo presidente do Estado de São Paulo Jorge Tibiriçá e o ministro da Viação Lauro Muller foi recebida com ruidosa manifestação entre rojões e muita música, pois aquela inauguração seria o marco inicial do incessante progresso da terra bauruense que, com a chegada, em 1910, dos trilhos da Cia. Paulista de Estradas de Ferro, viria a ser um dos mais influentes entroncamentos ferroviários do Brasil e talvez de toda a América do Sul.

Exatamente às 11h50, ao som do Hino Nacional da França - a Marselhesa - e sob um barulho ensurdecedor provocado pelo estouro dos rojões e morteiros, partiu o trem inaugural tracionado por uma poderosa Maria-Fumaça na qual, sobre o limpa-trilhos, foi colocado um banco de madeira destinado ao ministro e ao presidente do Estado, que puderam acompanhar bem de perto o caminhar do histórico trem que após algum tempo chegava a desenvolver uma velocidade de 38 quilômetros por hora, por sinal muito boa para a época.

A composição, depois de passar pela estação do quilômetro 25, que foi batizada com o nome de Presidente Tibiriçá em homenagem ao homem público, continuou sua viagem até chegar a Jacutinga (hoje a cidade de Avaí). Desta, o trem especial prosseguiu em sua trajetória inaugural, passando por Presidente Alves (nome este em homenagem ao máximo mandatário da Nação, conselheiro Rodrigues Alves) e chegando, finalmente, à estação que recebeu a denominação de Lauro Muller, em um tributo ao ministro. Estavam assim inaugurados os primeiros 100 quilômetros da E.F. Noroeste do Brasil. Inicialmente, o tráfego foi aberto apenas entre Bauru e Jacutinga (Avaí), com a circulação de três trens semanais de passageiros, cujo percurso era coberto em pouco mais de uma hora.

Mesmo com a inauguração, os índios coroados continuavam a prejudicar os trabalhos de construção da ferrovia, principalmente a partir de Lauro Muller, quando muitas mortes marcaram com sangue a continuidade dos trabalhos.

Nesse retrospecto publicado pelo Correio da Noroeste, em 1956, constaram muitas informações sobre o festivo acontecimento que movimentou Bauru no dia 27 de setembro de 1906. Mesmo depois do retorno do trem especial conduzindo parte da comitiva, às 22h, as festividades continuaram no salão onde foi realizado um banquete.

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