A greve dos bancários, que foi retomada ontem por tempo indeterminado, deixou sem atendimento pelo menos 7 mil pessoas que se dirigiram às 24 agências que aderiram ao movimento.
Foi o caso do cozinheiro Jaime Batista Gonçalves, 28 anos. Ele tentou resgatar o seguro-desemprego ontem numa das agências da Caixa Econômica Federal (CEF), mas não conseguiu por conta da paralisação dos funcionários. Ele só resgatou o benefício no fim da tarde, após percorrer sete lotéricas.
“Tive que recorrer às casas de loteria para pegar o dinheiro. Fui à Caixa, mas não consegui atendimento. Em várias lotéricas, o sistema não aceitou o cartão. Perdi o dia atrás disso”, reclamou.
O metalúrgico Ovídeo Yamashita, 42 anos, também teve prejuízos. Ontem, ele tentou pagar o Documento de Arrecadação da Receita Federal (Darf), que vence hoje, mas não teve êxito. “Os bancos estão parados e as lotéricas não recebem. O jeito será pagar com juros. Até agora, não consegui encontrar nenhum banco em funcionamento”, comentou.
O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região prometia adesão de quase 100% na greve, mas 53% das agências, ou 24 das 45 da cidade, tiveram funcionários paralisados. A maior adesão foi de funcionários dos bancos Real, Santander Banespa, Itaú, Sudameris, Mercantil do Brasil, Safra e Unibanco. Segundo o sindicato, nessas agências a adesão à greve foi total. Nas seis agências da Caixa Econômica Federal (CEF), cinco tiveram adesão. Já as agências do Banco do Brasil, Nossa Caixa e Bradesco abriram normalmente para a população.
Mas os mais prejudicados são os idosos porque apenas os caixas eletrônicos e os serviços de devolução e compensação de cheques estavam funcionando normalmente. Com dificuldades para utilizar o sistema eletrônico, alguns idosos precisaram pedir ajuda ou optaram por voltar para casa sem atendimento. Aqueles que precisavam retirar o dinheiro do programa Bolsa-Família, solicitar o cartão cidadão ou mesmo consultar informações sobre o PIS também não conseguiram entrar na agência pela manhã. Formou-se uma fila na entrada, no aguardo da abertura da agência à população.
Foi o caso de Kely Cristina Moura, que carregou a filha Yasmin Rodrigues Martins por mais de uma hora, tentando entrar na agência da CEF na rua Gustavo Maciel, no Centro da cidade. “Vim receber o dinheiro do Bolsa-Família (R$ 65,00). Se não conseguir, não sei como vou comprar as coisas para ela (Yasmin)”, preocupa-se. O aposentado João de Oliveira também não conseguiu atendimento. Ele precisava retirar o dinheiro de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e não sabia usar o caixa eletrônico.
A opção para algumas transações - como o recebimento do Bolsa-Família, por exemplo - são os correspondentes bancários, casas lotéricas e Internet banking.
Segundo o diretor do sindicato, Carlos Alberto Castilho, a proposta apresentada pela Fenaban de reajuste de 2% aos funcionários foi uma afronta. “A greve aconteceu por causa da relutância dos banqueiros em aceitar nossas propostas. Nosso objetivo não é prejudicar a população”, argumenta Castilho.
Os profissionais querem reajuste salarial de 10,96%, participação nos lucros e resultados de 5% do lucro linear, além de um salário bruto acrescido de R$ 1,5 mil. Em contrapartida, os banqueiros ofereceram reajuste de 2% sobre os salários praticados em agosto deste ano, correção das verbas de natureza salarial de demais benefícios em 2%, pisos salariais corrigidos em 2%, além de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) inferior ao valor reivindicado.
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Assembléia
Os bancários fizeram ontem nova assembléia, às 19h, e decidiram manter a greve. Nenhuma manifestação foi programada para hoje, apenas outra reunião está agendada, para 16h30, na sede do sindicato. Conforme a diretoria, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) deve se reunir novamente com a categoria na terça-feira da semana que vem.