João Carlos Martins. Como pianista, ele foi considerado um dos melhores que o Brasil já teve pela crítica nacional e internacional. Mas uma série de acidentes lhe tirou as mãos para o piano. A fatalidade o levou à regência e, em pouco tempo, ele já estava à frente de orquestras internacionais. Em 2004, patrocinado pela Telefônica, fundou a Bachiana Chamber Orchestra que se apresenta amanhã no Teatro Municipal. Os ingressos serão distribuídos gratuitamente hoje na bilheteria do teatro.
No programa, composições de Bach, Beethoven, Mozart e Brahms, num repertório denominado pelo maestro de “Quarteto Fantástico”. “São obras escolhidas criteriosamente dos maiores compositores da história da música”, afirma Martins que não esconde sua predileção por Bach. “Gravei a obra completa de Bach para piano”.
A execução ficará a cargo de 44 músicos que se dividirão entre instrumentos de cordas e de sopro. “Todos foram escolhidos a dedo. É uma orquestra sinfônica formada pelos melhores instrumentistas do Brasil”, afirma o maestro, que chega a Bauru hoje depois de passar por uma cirurgia para retirada de pedras do rim no último sábado. Antes da apresentação, Martins coordenará um workshop aberto a estudantes de piano.
À frente da Bachiana - uma homenagem a Johann Sebastian Bach e ao compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos, autor das famosas Bachianas Brasileiras - Martins tem se apresentado em diversos estados do Brasil. “Depois de Bauru, seguimos para Porto Alegre, Belo Horizonte, Nova York e Rio de Janeiro. Estamos com apresentações marcadas até o final de 2007”, diz.
Com a orquestra, a tentativa de democratizar a música clássica. “O segredo de conseguir levar a música clássica fora além das capitais é a união entre a iniciativa privada, o governo e a mídia. Quando isso acontece, a música clássica sempre ganha”, acredita.
Superação
“A pessoa só consegue crescer quando conhece a teoria da queda, e eu conheci”. Desta forma o maestro João Carlos Martins define a guinada que deu em sua vida, após perder o movimento das mãos por conta de uma série de acidentes. O primeiro aconteceu numa partida de futebol em Nova York, em 1966, e o último durante um assalto na Bulgária, em 1995.
Com o agravamento das lesões, o maestro abandonou definitivamente o piano em 2004. “Recomecei minha vida aos 66 anos quando fui estudar regência. Em menos de seis meses iniciava minha carreira internacional. Para viver, é preciso esquecer as mágoas do passado e acreditar numa espécie de esperança”, diz o maestro.
A trama de música, doença, glória e celebridade do maestro foi explorada no documentário franco-alemão da diretora Irene Langemann, “A Paixão Segundo Martins”. Lançado em 2004, a produção foi assistida por mais de um milhão e meio de pessoas na Europa. Sua vida, agora como regente, também foi documentada no belga “Reverie”, que deve ser lançado ainda neste ano.
• Serviço
Apresentação da Bachiana Chamber Orchestra amanhã, às 20h30, no Teatro Municipal (avenida Nações Unidas, 8-9). Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados na bilheteria do teatro a partir de hoje. Mais informações: (14) 3235-1072.