Teerã - O governo iraniano anunciou ontem a construção de um novo canhão naval, descrito como “o mais moderno e sofisticado do mundo’’. O projeto e a produção do canhão automático, de 74 milímetros de calibre, exibem o poder bélico e dos especialistas em armas, segundo o ministro Mustafah Mohamed Nayar, da Defesa.
“A produção do Fagr 37 faz parte de nossa política destinada a preencher a lacuna no caminho para a auto-suficiência no campo das armas navais’’, disse. O novo canhão seria resultado de um trabalho de quatro anos de especialistas iranianos. De acordo com o ministro, a nova arma é capaz de atingir alvos navais e aéreos e funciona como um “escudo’’ contra ataques terrestres e aéreos.
O anúncio do novo equipamento bélico foi feito no dia em que Irã e a União Européia (UE) retomaram discussões sobre as atividades nucleares iranianas, iniciadas anteontem, na Alemanha. O encontro corre entre o principal negociador nuclear do Irã, Ali Larijani, e o chefe da política externa da União Européia, Javier Solana.
Especula-se que o Irã reforçará sua disposição em manter o diálogo, propondo uma moratória de até dois meses no programa de enriquecimento de urânio - processo que pode tanto produzir combustível para usinas de energia quanto material bélico.
Se o Irã realmente pedir mais tempo, os Estados Unidos devem endurecer ainda mais seu discurso e exigir punição imediata ao governo iraniano, acusado por autoridades americanas de usar o enriquecimento de urânio para desenvolver armas nucleares.
O Irã alega que suas atividades têm apenas fins pacíficos, como a produção de energia. Solana e Larijani protagonizam a última rodada de conversações acerca de um pacote de incentivos que seis países - Estados Unidos, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha - oferecem a Teerã em troca da suspensão de seu programa de enriquecimento de urânio e do retorno das negociações em longa escala.
O Irã perdeu o prazo estabelecido em 31 de agosto pelo Conselho de Segurança para discutir o assunto. Os seis países já consideram a aplicação de sanções, caso Teerã não cumpra as determinações. A estratégia de sanções administrativas trata-se da imposição de uma série de penalidades contra o Irã, começando com a contenção de tecnologias que possam ser usadas em programas militares.