Conforme dados do Projeto Caminho de Volta, 120 pessoas desapareceram de suas casas em Bauru desde o começo deste ano. Quase a metade, ou seja, 36%, são crianças e adolescentes com até 18 anos. E ao contrário do que se pensa, esses menores não foram seqüestrados, mas deixaram suas famílias por livre e espontânea vontade. O principal motivo, conforme a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), é o conflito com os pais.
Das 44 crianças e adolescentes que saíram de casa desde janeiro, três ainda não reapareceram. “A maioria volta antes de ser encontrada pela polícia. Em média, ficam até três dias fora de casa. Temos muitos casos também que o adolescente sai para uma festa e resolve ficar na casa do amigo ou namorado, mas não avisa os pais”, comenta o delegado Ricardo Dias, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).
O delegado também informa que muitas crianças são encontradas pela família pedindo esmola no trânsito da cidade. Ainda segundo ele, grande parte desses menores, quando encontrados, alega não querer voltar para casa porque é maltratada.
Entretanto, são os adolescentes que mais reincidem no ato de sair de casa. “É freqüente esses jovens não avisarem a família quando resolvem dormir fora. Chegam a ficar dias sem dar notícias aos pais”, diz o delegado.
Segundo o Projeto Caminho de Volta, entre setembro de 2004 e setembro de 2005, 302 famílias de todo o Estado de São Paulo registraram queixa de desaparecimento de criança ou adolescente. Entre os motivos dos menores terem deixado a casa estão os maus-tratos (51%), o álcool (36%), a violência doméstica (29%), as drogas (25%) e a negligência familiar (22%).
De acordo com Pauliane Veloso, policial civil e psicóloga do Projeto Caminho de Volta em Bauru, 177 das 302 crianças e adolescentes que saíram de casa no período são meninas. Do total de desaparecidos, 73% admitiram fugir de casa. Desse percentual, 42% procuram as casas de parentes ou amigos, porém, não avisam que a família não sabe do paradeiro. Quase 50% reincidem a prática.
Adultos
A DIG e o Projeto Caminho de Volta não precisaram as principais características do grupo de 76 adultos que desapareceram em Bauru desde o começo do ano. Entretanto, conforme o delegado Ricardo Dias, a maior incidência é de idosos que não conseguem retornar para casa, principalmente, porque esquecem o caminho.
“Muitos idosos saem para pagar contas ou ir ao supermercado e não voltam mais. Alguns se acidentam no caminho, outros têm um esquecimento momentâneo e existem aqueles que sofrem de problemas psiquiátricos e, por isso, saem de casa sem rumo”, comenta o delegado.
Dias ainda ressalta que alguns desses idosos também são encontrados mortos em hospitais em decorrência de terem sofrido infarto ou acidente vascular cerebral enquanto estavam na rua. O delegado disse que não são comuns os casos de homicídios entre os desaparecidos.
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Números diferem
O número de desaparecimentos registrados na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) neste ano é de 29 crianças e adolescentes. A quantidade é inferior ao do Projeto Caminho de Volta, que aponta 44. Essa diferença ocorre porque os boletins de ocorrência feitos pelas famílias nos distritos policiais são encaminhados ao Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo/Interior (Deinter-4), onde o projeto é desenvolvido em Bauru.