“O Brasil precisa de gente jovem, com idéias novas, que não tenha os mesmos vícios dos políticos tradicionais. Acho que o jovem tem mais chance de mudar do que uma pessoa de 60 anos”. À primeira vista parece um candidato, falando sobre suas qualidades e pedindo votos, mas é apenas uma estudante de 17 anos, que vai exercer amanhã, pela primeira vez, o direito do voto.
Pérola Padilha e seus colegas, Bruna Faidiga (18), Ronaldo Mendes de Lima (18), Nayana Faria Nunes (16) e Ana Cláudia Namisaki Ruiz Romanholi (16) têm em comum o desejo de mudanças no país, e, ao contrário do que pensam os mais velhos, estão ligados no que acontece na política e acompanham a trajetória dos candidatos a presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual, para saber em quem votar neste domingo.
Eles acreditam que eleitores e políticos jovens têm mais condições de promover mudanças positivas para o país, que, segundo os estudantes, carece de idéias novas e fôlego para trabalhar pela população e não para se autopromover. “Precisamos de candidatos e eleitores jovens, mas eleitores com vontade”, destaca Pérola.
Mais que um direito, o voto é encarado pelos estudantes como um dever de todo cidadão. Pérola conta que tirou o título com 16 anos por causa dos pais, que a instruíram nesse sentido. “Eu sempre quis votar, acho muito importante”, frisou. Ela criticou as pessoas que reclamam de votar em pleno domingo. Segundo a estudante, é um dia que pode decidir os destinos do país e deveria ser encarado com mais seriedade. “Tudo é relacionado com esse dia. O preço do que você vai comer é relacionado com esse dia, o que você paga de juros também. É só um dia, acho que não custa para ninguém”, ressaltou.
Para Ronaldo, o momento que o país vive é um dos motivos que pode afastar os eleitores. Ele acredita que se o voto não fosse obrigatório, muitos deixariam de votar, além das dificuldades em fazer a escolha certa no dia da eleição. “Eu vou votar, porque acho importante, mas tenho certeza que muita gente não votaria”, disse.
Os cinco alunos do Ensino Médio já têm em mente em quem vão votar no domingo, e, segundo eles, a escolha foi criteriosa. Eles apontam como principais requisitos para um candidato ideal a juventude, honestidade, sinceridade, trabalho em prol da população e propostas sérias para temas básicos, como saúde e educação. “Educação é tudo, acho que os candidatos precisam ter propostas para melhorar a qualidade de ensino, já que com educação é possível diminuir a violência”, afirma Ana Cláudia.
Horário político
O pensamento crítico da juventude é bastante conhecido. Os jovens não costumam ter papas na língua para falar sobre qualquer assunto, sobre política não é diferente. O horário político que invadiu as televisões não escapou das críticas. Apesar de acharem importante para conhecer os candidatos, os estudantes criticaram o horário eleitoral por ser repetitivo, e porque os candidatos costumam fazer propostas mirabolantes, quando estão em frente às câmeras. “Às vezes você assiste e se sente um palhaço. Eles pensam que a gente vai acreditar no que eles falam”, disse Ronaldo.
Corrupção
O tema corrupção é bastante discutido entre os jovens. Para Nayana, foi o que a motivou a votar na eleição de domingo. “Eu não vejo porque ficar votando nos mesmos políticos que fizeram tudo isso”, salientou.
Para Ronaldo, a corrupção não é um tema novo, mas cabe aos eleitores filtrarem quem são os envolvidos e votar em pessoas que não tenham nenhuma mancha no currículo. “Corrupção sempre teve e sempre vai ter”, ressaltou. A afirmação de Ronaldo reflete o sentimento dos demais sobre o assunto. Pérola destaca que a maioria das pessoas relaciona política com corrupção, sem distinção.
Um dado preocupante apontado pelos jovens é a falta de interesse na política por parte dos outros colegas. Segundo Nayana, em uma classe com 43 alunos, poucos possuem o título de eleitor e se preocupam com tema eleições. “É muito pouco, o pessoal não dá importância”, disse.