Tribuna do Leitor

Ter ou não ter, eis a questão


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Desde os primórdios das civilizações, as pessoas tinham a necessidade de ter mais que as outras. A Espanha do século XV desejava possuir mais terras do que o resto da Europa. Hoje, se alguém tem algo que não temos, compramos vinte objetos iguais, só para dizer que temos. Indubitavelmete, colocamos o ser depois do ter e dizemos que nossa felicidade depende de determinado objeto, como um carro ou uma casa. Mas por que temos a necessidade de depositar nossa felicidade em bens materiais? Como não temos tempo para sermos - e, ainda, sermos felizes - compramos e dizemos que somos - ou melhor, que estamos - felizes. Compramos nossa felicidade. Será que realmente a temos ou ela é momentânea? Será que queremos ter para nos agradar ou para sermos aceitos na sociedade? Certamente não nosatemos a ter um pouco. Queremos ter muito. E, talvez - para nós -, o muito ainda seja pouco. Somos influenciados pela mídia. Assistimos a novelas e seriados que nos mostram riquezas que não podemos imaginar e queremos ser assim.

No entanto, nem sempre querer é poder. Queremos mesmo assim. Compramos para sermos aceitos em determinados grupo social. Nas escolas particulares, quem não tem um par de tênis Nike é olhado de outra forma. Às vezes, até pelo fato de querermos ser aceitos na sociedade, deixamos de ser o que queremos e nos moldamos à forma que as pessoas querem. Enfim, pode-se afirmar que a riqueza e os bens materiais nos são mais importantes que o ser e o saber. A realidade é que pensamos que somos - e seremos - classificados pelas nossas posses e por isso queremos sempre ter mais. E pelo fato de querermos ter, julgamos os outros pelo que eles têm também e acabamos entrando num ciclo vicioso, onde nos perdemos entre nossa felicidade e querermos ‘agradar’ aos outros. Devemos saber: “Devemos ter ou não ter, eis a questão.”

Millene Abo Arrage

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