No fim de 2004, um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que 44% dos aposentados respondiam por mais da metade da renda dos domicílios onde vivem. Um trabalho recente divulgado por alunas das Faculdades Integradas de Bauru (FIB) confirma essa tendência e vai além: em Bauru, essa porcentagem é ainda maior, de 53%.
Os dados da pesquisa “A importância do aposentado na renda familiar do município de Bauru“ reforçam a necessidade de uma revisão de conceitos. Os idosos não são mais tão dependentes dos filhos como antigamente. O retrato social agora é outro e exibe uma imagem completamente oposta. Em muitos casos, são os aposentados que colocam o alimento na mesa de filhos e netos.
Uma das conclusões a que chegaram as alunas Fabiana Ribeiro Tonon, Glenda Aparecida Ximenez e Fabiana Mazato Reder é que a presença de um aposentado dentro de casa ajuda na redução da pobreza da família. De acordo com a pesquisa, 64% dos segurados recebem mais do que a média salarial dos bauruenses, que é de dois salários mínimos (R$ 700,00), segundo censo do IBGE.
Glenda destaca que a pesquisa encontrou também, embora em proporção menor, aposentados que ganham um salário mínimo e mesmo assim o benefício é o único sustento da família. Apenas 6% dos entrevistados declararam receber R$ 350,00 ou menos por mês. Por esse motivo, chega a ser insignificante a porcentagem de aposentados beneficiados por programas sociais do governo como bolsa família, por exemplo. Apenas 2% se enquadram nesse perfil.
Outro dado interessante apontado pelo estudo é que 90% dos entrevistados possuem casa própria. Como não precisam pagar aluguel, alguns chegaram a relatar que filhos casados retornaram para a casa dos pais porque estavam desempregados e não tinham como se sustentar. Diante da situação, viram nos pais aposentados a tábua da salvação.
Com isso, a família aumenta, conseqüentemente as despesas da casa, o orçamento fica mais apertado e, para manter as contas em ordem, muitos dos segurados acabam voltando ao mercado de trabalho para fazer serviços esporádicos (bicos).
Embora o valor da aposentadoria supere a média salarial do bauruense, 62% dos entrevistados disseram que o benefício é insuficiente para cobrir todas as necessidades. Na despesa familiar, o item alimentação é o que tem o peso maior: consome 30% do orçamento. Na seqüência vêm os gastos com medicamentos e planos de saúde, que juntos abocanham em média 19% da renda da família.
Escolaridade
A pesquisa permitiu ainda às alunas concluir que o valor da aposentadoria está diretamente relacionado ao nível de escolaridade. Quanto maior o grau de instrução do segurado, maior é o rendimento.
De modo geral, o nível de escolaridade dos entrevistados é baixo. O estudo constatou que 61% deles possuem até o primeiro grau, 10% ingressaram em uma faculdade, mas não concluíram o curso. Só 7% foram até o fim e hoje ostentam um diploma de graduação. Uma taxa ainda menor, apenas 2%, representa os que possuem algum curso de pós-graduação.
“Uma entrevistada com superior completo se enquadrou na faixa de rendimentos acima de R$ 3.000,00. (Na época da entrevista) ela falou que estava indo para a Grécia”, cita Fabiana.
Segundo ela, existem casos que acabam fugindo à regra, mas na média é possível notar que quando a pessoa estuda mais, acaba tendo um salário melhor. Conseqüentemente, quando se aposenta passa a receber um benefício acima da média.
Em geral, a aposentadoria da mulher é menor que a do homem. De acordo com as pesquisadoras, isso ocorre porque parte delas se aposentou sem nunca ter contribuído à Previdência Social ou fizeram uma contribuição menor. “São poucas as mulheres que têm rendimentos maiores do que os homens”, diz Fabiana. “Quando isso acontece é porque ela tem um grau de escolaridade maior”, conclui.