Criança, etiqueta e civilidade
Uma das missões na vida de um adulto é ajudar que aflore nas crianças a noção de dignidade, para que, assim, elas pratiquem a todo momento a civilidade. Esta prática fará com que elas vivam mais felizes, consolidando valores morais e éticos, sempre direcionados para o bem.
A etiqueta muito auxilia nesta missão, não somente porque ensina a falar “muito obrigado” ou compor uma mesa corretamente, mas também porque, e principalmente, ensina a virtude da bondade.
O primeiro passo é conscientizar o adulto da importância da gentileza e o segundo é conscientizar e provar para a criança que, assim procedendo, o mundo será mais generoso com ela. É um processo que demanda tempo e paciência. Aliás, são coisas que hoje em dia não são muito fáceis de encontrar nos pais, devido à correria pela sobrevivência. Segundo Mère Cristine, do antigo Colégio Saede Sapientia, “os pais que não têm tempo para os filhos não são dignos de serem chamados de pais”. (Isto é muito grave!)
Não é o tênis de grife ou o boné da moda que as crianças carregarão para o resto de suas vidas. O tênis e o boné acabam. Os valores permanecem.
A criança precisa saber o que é certo e o que é errado. Ser gentil não é uma opção; é uma realidade que facilita o relacionamento familiar e social.
A sagrada hora da refeição é um bom começo para o início do treinamento da civilidade. Tenho consciência que em alguns lares não existe a possibilidade de todos sentarem-se à mesa, juntos, todos os dias. Entretanto, a presença de uma pessoa querida e que tenha boa vontade pode orientar as crianças como devem se comportar.
Talvez domingo seja um bom dia, quando todos estão em casa. Iniciando o dia, combinem para que todos contribuam na arrumação da casa. Não se esqueçam que casa bagunçada perturba a mente de seus moradores.
Ensinar a criança a arrumar a sua cama não é tarefa difícil se os pais mostrarem que a ajuda de cada um é importante, já que vivem em comunidade. As tarefas domésticas e a ajuda mútua desenvolvem a responsabilidade e o relacionamento interpessoal.
Um almoço em família oferece muito mais do que o alimento, oferece também a valorização efetiva do que venha a ser um lar.
Cada criança nasce com seu potencial e cabe aos pais despertá-lo. Quanto mais cedo uma criança for estimulada, maior será o desenvolvimento do potencial
Com relação à etiqueta, nada é diferente. Quanto mais cedo ela for orientada, mais natural e elegantemente as regras de boas maneiras serão praticadas
O comodismo é inimigo da civilidade. A prática da etiqueta requer treino e policiamento constantes. Não deve ser imposta como uma simples obrigação, razão para que os pais digam menos “não” e mais “sim” na hora de educar. De nada adianta dizer mil vezes: “Já falei que não é assim que se faz”, em tom zangado.
Outra prática que deve ser adotada é a do elogio, quando a criança age de maneira correta. A etiqueta é melhor aceita pelas crianças pela afirmação do que pela negação. Vale a pena ter paciência! O resultado é compensador, porque as boas maneiras irão se refletir no futuro da criança, tanto na vida social quanto na profissional.
Se ela se porta mal à mesa e é desculpada por ser criança, o mesmo fato não terá desculpa na vida profissional, podendo mesmo truncar uma carreira de sucesso.
Segundo a consultora de marketing Letitia Baldrige, “a criança com postura diante da família e da sociedade está voltada para além de si mesma”.
Agindo de maneira educada, ela perceberá que será querida por todos e isto eleva a sua auto-estima, transformando-a em um adulto de bem com a vida e com ela mesma.
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Quero convidar algumas amigas para um chá informal. Como não tenho as louças iguais para todas, posso completar com pratos diferentes? (Roberta)
Resposta: Não são as louças que fazem um chá ser agradável.
É a sua maneira de receber e o capricho de compor a mesa.
Por isso, pode misturar modelos de pratos e não precisa ficar se desculpando por isso. Tenha uma ótima tarde.
Fui convidado para um aniversário às 21h e o traje é social chique. Como devo ir vestido? (Paulo)
Resposta: O traje social chique corresponde ao passeio completo, isto é, terno e gravata.
Como a comemoração é à noite, o terno deve ser escuro. Capriche no sapato. Divirta-se.
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* Educadora e consultora de etiqueta social e profissional e autora dos livros “Educação e Requinte” e “Com Licença ... preceitos de civilidade e cidadania”
www.educacaoerequinte.com.br