Tribuna do Leitor

Parcialíssima imprensa


| Tempo de leitura: 2 min

No dia das eleições, cabe fazer uma reflexão séria e sensata do papel que a imprensa, sobretudo a grande imprensa, cumpriu no transcorrer da campanha eleitoral. O tratamento dado ao atual presidente Lula foi preconceituoso, desrespeitoso e negativo. Já o tratamento que se deu ao disputante Geraldo foi cheio de obséquios, rapapés e até de desculpas por um ou outro ato falho deste empolgante senhor que faz vibrar intensamente platéias de todos os matizes. Com relação ao PT, então, ao menos avisado pareceria que com este partido instalou-se a corrupção no país. Todos sabemos que não é bem assim. E que muitas das denúncias ora em investigação tiveram sua origem no governo anterior do PSDB.

Quando as denúncias envolveram militantes ou partidários do PT, as manchetes davam em letras garrafais a condição de “petista” do denunciado. Nas poucas vezes em que foram noticiados deslizes do PSDB (exemplo a recente denúncia contra o atual prefeito de Piracicaba, Barjas Negri, ex-secretário executivo de Serra e ex-ministro da Saúde), nenhum jornal manchetou como “peessedebista envolvido”. O uso de dois pesos e duas medidas apequena a imprensa, sobretudo, a grande imprensa.

De outra parte, ao meu candidato a presidente, Christovam Buarque, de longe o melhor de todos os concorrentes, não foram dadas oportunidades para sequer falar dos seus propósitos. Já no que diz respeito à candidata Heloísa Helena, o enfoque foi um pouquinho mais condescendente; porém, devido ao inusitado de uma candidatura feminina e ser a senadora uma mulher que tem raiva de tudo, talvez até dela mesma. Os rompantes de HH serviram de matéria sensacionalista para a parcialíssima imprensa. Seja qual for o resultado das eleições, está na hora de o dito quarto poder, no interior de suas redações gestar editoriais de “mea culpa” pelo grande desserviço que desta vez prestou à população brasileira, escamoteando realidades, revelando informações sem provas, enfim brincando de ser séria no miserável afã de “dar o furo”. “Furo” que várias vezes nasceu “furado” ou em outras vezes se mostrou falso. Pena porque a imprensa no Brasil tem uma tradição democrata e responsável. Ou tinha ? Atenciosamente.

Marco Antônio de Souza - OAB/SP 55.799

Comentários

Comentários