Paz. A palavra é formada por apenas três letras, mas tem muitos significados. Desde a ausência de violência, guerras e conflitos até o bem-estar de toda a humanidade, passando ainda pela harmonia, amizade, honestidade, preservação da natureza, acesso à saúde, educação, cultura, respeito a si próprio e aos outros. E o importante é saber que tudo isto pode ser praticado no dia-a-dia de todas as pessoas. Como?
“É simples”, responde Lucas Arieta Teixeira, 9 anos, aluno da 2.ª série do colégio São José. Para ele, a paz começa em casa, respeitando os pais, irmãos e familiares. “Se nós tivermos um bom caminho em casa, seremos boas pessoas. Para praticar a paz, penso em coisas boas e tento arrumar o maior número possível de amigos e ser legal com todos.” A harmonia e respeito devem continuar na escola, na cidade e no País, afirma. Segundo ele, a violência e a corrupção na política impedem a paz. “Precisamos de um mundo sem guerras e sem ‘sanguessugas’ no governo”, diz.
Suas colegas de sala Raquel de Almeida Salles, 9 anos, e Maria Luiza Camprigher Witzler, 8 anos, têm opinião parecida. Para elas, praticar a paz é responsabilidade de todas as pessoas. “Paz, para mim, é amor pelos outros. Em casa, respeito meus pais e procuro não brigar com meu irmão”, diz Maria.
Para André Mori e João Felipe Caldeira, ambos de 10 anos e estudantes do São José, a paz é uma disciplina fundamental na escola. “Devemos nos respeitar para respeitar os outros. Na escola, procuro não brigar, conviver bem com os amigos e viver em harmonia”, diz André. “Para ter um mundo se guerras, é preciso respeitar uns aos outros. Respeitar os amigos é muito importante”, reforça João Felipe.
Rebeca Dalur de Castro Boscatti, 8 anos, aluna da 2.ª série da Escola Estadual Joaquim de Michieli, diz que a paz é sinônimo de tranqüilidade e harmonia. Ela conta que busca praticar isto sempre. “No dia-a-dia, quando meu irmão briga comigo, tento evitar. Na escola eu respeito os outros e a professora.”
As amigas Larissa Dárico Machado, 11 anos, e Bianca Panussa Vieira, 8 anos, também alunas da escola, dizem que a paz é uma das coisas mais importantes da amizade. “Respeitar a amiga é uma atitude de paz”, diz Bianca. “E aqui na escola, quando alguém briga, tento separar para o ambiente ficar melhor”, complementa Larissa.
O professor de filosofia e ética da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Clodoaldo Meneguello Cardoso explica que, além de não ter guerras e violência, a paz compreende o bem-estar de todas as pessoas.
De acordo com ele, este bem-estar passa pelos direitos humanos fundamentais: alimentação, habitação, educação, cultura, lazer, liberdade de expressão e meio ambiente saudável. “A justa distribuição das riquezas entre os grupos sociais e entre as nações é fator decisivo para a construção de sociedades pacíficas e democráticas”, aponta.
Clodoaldo é coordenador do Núcleo pela Tolerância do Departamento de Ciências Humanas da Unesp, um centro de pesquisa e ações dos direitos humanos. Um dos trabalhos desenvolvidos pelo núcleo foi a criação de uma versão infantil do Manifesto pela Paz, uma campanha de cultura pela paz e não-violência lançada em 2000 pelas Nações Unidas e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
O manifesto tem seis itens que buscam conscientizar as crianças e ajudá-las a melhorar o futuro do mundo. Entre eles, cuidar da escola, da cidade e de toda a natureza. Esses preceitos são seguidos por Wesley de Almeida Mota, 9 anos, e Yasmin Fróes Gumieiro, 10 anos, alunos da 3.ª e 4.ª séries da escola Joaquim de Michieli.
“Pratico a paz respeitando meus pais, minha irmã, os idosos, meus professores e agindo com amor e amizade no meu dia-a-dia”, diz Wesley. “Paz é um mundo sem guerras. No Brasil não há guerras, mas temos o problema da fome e precisamos ajudar quem precisa”, aponta Yasmin.
Bruno Barude, 9 anos, da 3.ª série do São José, concorda com Yasmin. “A paz significa respeitar uns aos outros, ter harmonia e acabar com as brigas no mundo e no dia-a-dia”, observa. “A paz é a solução do mundo”, afirma seu colega de sala Rafael Moraes Baldrighi, 9 anos.